Denunciar o déficit de árvores na área urbana não é tarefa apenas de ambientalistas. Moradores de diversos bairros de Bauru também reclamam da arborização precária.
Na opinião de Luiz Carlos da Silva, morador do Parque Roosevelt, faltam árvores no bairro. “Tem bem pouco. Não chega a ter uma em cada casa. Tem bem menos. Somente umas três por quarteirão. E olhe lá”, diz.
Ele acredita que falta informação por parte da população e que a importância da vegetação na área urbana deveria ser mais divulgada. “Eles não sabem que a Semma (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) doa mudas. Já vieram pedir para mim”, conta.
Silva acrescenta também que muitos terrenos do Parque Roosevelt têm apenas cinco metros de largura e que, com o espaço reduzido, as árvores teriam de disputar espaço com as garagens dos carros. “O certo é ter árvores. Seria interessante também porque teríamos mais sombra”, observa.
Para Oswaldy Martins, morador do Parque São João, o ideal seria que todos os bairros de Bauru fossem como o Jardim Estoril, no que diz respeito à arborização.
“No Estoril, o ar está sempre limpinho. Os bairros deveriam ter mais árvores. No Parque São João tem poucas. É insuficiente porque muita gente constrói casas irregularmente e não planta árvores”, afirma.
Martins destaca que é necessário informação para plantar as espécies indicadas para a área urbana e para cuidar adequadamente das árvores. “No meu bairro, tem muita que estoura a calçada ou que atrapalha a fiação. A própria prefeitura tem árvores que pegam nos fios e que eles não podam”, frisa.
No Bauru 2000, a situação é semelhante. Não se vê muitas árvores nas calçadas. O bairro tem quarteirões grandes, de 60 a 80 casas. Em cada um deles há, em média, dez mudas apenas.
“Não há uma por casa. Seria interessante que tivesse mais e que os próprios moradores tivessem a iniciativa de plantar. Seria um clima melhor, o bairro ficaria mais bonito”, diz.
Na opinião de José Perea Martins, morador do Jardim Terra Branca, há ruas do bairro com árvores suficientes e também ruas carentes de arborização.
“Quando pensamos em arborização, não devemos pensar só na rua em que moramos. Temos que pensar no todo e Bauru está com muita falta. Precisamos de mais árvores em todos os bairros. Acho que é necessária uma campanha de conscientização”, alerta.
Ele acredita que faltam medidas públicas para reverter o déficit urbano. “Na Amazônia já estão fazendo muitas queimadas. Se não criarmos um equilíbrio no Sul do País, o mundo todo vai pagar por isso”, enfatiza.
José Raul Franco Canheti, morador do Parque Santa Luzia, acredita que seu bairro está bem servido de árvores, mas mostra-se preocupado com a escassez em outras regiões da cidade.
“Eu acho que Bauru tem áreas muito desertas. No Núcleo Bauru 2000, por exemplo, há uma tremenda falta de árvores. A Semma deveria cuidar de arborizar esses núcleos novos. Tem muita carência. A consciência ecológica dos moradores deveria ser despertada desde o início dos loteamentos”, sugere.
Canheti observa que em muitos locais as espécies plantadas são inadequadas para a área urbana, como o chapéu mexicano. “Elas destróem as calçadas porque as raízes são grossas. Outras árvores são inadequadas para conviver com a rede elétrica”, destaca.