Bairros

Pragas demandam mais cuidados

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Os cuidados com árvores na área urbana vão além da escolha da espécie e plantio adequado. Para evitar outros problemas, é recomendável ficar de olho no possível aparecimento de pragas.

As mais comuns, de acordo com o especialista Waldomiro Rett, são o cupim e a formiga preta. Além de ameaçar a vida da árvore, eles podem provocar danos no interior das residências.

Ambos os problemas podem ser solucionados com venenos apropriados, facilmente encontrados em casas especializadas. Entretanto, o auxílio de um especialista é importante porque nem sempre basta aplicar o produto.

Quando cupins são mortos numa árvore, por exemplo, geralmente fica um buraco no tronco. “É como dente cariado. Não adianta matar o cupim e ficar aquela cavidade porque a água penetra e apodrece a árvore. É preciso encher de massa. Eu chamo isso de tendroscopia. Melhora muito”, afirma.

A cal, amplamente utilizada, não é indicada por ser prejudicial à vida vegetal. “Ajuda a matar a árvore”, diz Rett.

A formiga preta, embora tenha porte pequeno, representa um grande problema. Rett explica que é necessário injetar o veneno no buraco onde as formigas entram, com o objetivo de matar a rainha.

“Matando a rainha, o problema está solucionado. O que mata mesmo a árvore é a formiga pequena que toda casa tem e que retira seiva da árvore. Ela deixa a árvore desnutrida”, frisa.

Apesar de menos freqüente, a broca é outra praga. Ela ataca especialmente a espécie canelinha. Trata-se de um inseto que, na fase adulta, coloca ovos na casca da árvore. A larva proveniente do ovo entra na planta e pode matá-la.

O problema é que para matar a larva é necessário aplicar inseticida muito forte. Portanto, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente recomenda que as canelinhas sejam evitadas principalmente na área urbana.

Tudo errado

Na opinião de Rett, o problema de Bauru é falta de planejamento. “Está tudo errado. Plantaram árvores erradas e agora têm de desgalhar tudo. Plantam árvores grandes e não pode. São muito altas. Onde já se viu plantar cedro no meio da cidade, que vai a 20 metros de altura?”, questiona.

Um dos problemas da poda drástica, segundo Rett, é que ela pode provocar o apodrecimento da árvore e, conseqüentemente, atrair cupins. “Cupins gostam de árvores podres. As sibipirunas estão todas podres em Bauru. Por causa da energia elétrica, precisa podar e elas adoecem”, expõe.

“Sibipirunas são árvores para mata ciliar. São boas, mas só servem para campo e margem de rio. O melhor é plantar espécies como murta e sambiqueira. São indicadas para área urbana e demoram somente de quatro a cinco anos para dar sombra. É uma maravilha”, enfatiza.

A arborização inadequada não é problema exclusivo de Bauru. Segundo Rett, é comum em muitas cidades do Interior. “Em Pederneiras também é esse desastre. Tem muito pinus e pinus não se planta em cidade”, diz.

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