A opinião de ambientalistas sobre o déficit de arborização urbana em Bauru é que faltam políticas públicas para solucionar o problema.
“Tudo é vontade política. Se a Secretaria (Municipal de Meio Ambiente) criasse um programa que estimulasse a população a fazer o plantio, centenas de pessoas plantariam árvores em frente a suas casas”, diz Kláudio Cóffani Nunes, presidente do Instituto Ambiental Vidágua.
Ele enfatiza que em Bauru há cerca de 35 mil árvores, ou seja, uma para cada dez habitantes. O aceitável seria uma para cada três habitantes. Na opinião de Nunes, todos os bairros de Bauru deveriam ter a “cara” do Jardim Estoril, com muitas árvores.
O ambientalista destaca que a Semma deveria estabelecer o planejamento da arborização de Bauru, de acordo com a lei municipal 4.368, de 1999. “Essa lei busca estabelecer nossa regulamentação no assunto. Quem cuida disso é a Semma, mas ela cumpre muito fracamente. A Semma nunca tem recursos nem mão-de-obra suficiente para fazer nada e não berra por socorro”, critica.
De acordo com Nunes, nos anos 70, Bauru era famosa pela beleza urbana e pelas árvores. Ao longo dos últimos 20 anos, entretanto, a arborização não teria acompanhado o crescimento da cidade.
Para o ambientalista Ivan Ferrazoli, as imprudências das pessoas que cortam ou podam drasticamente as árvores agravam a situação do município. “O que acontece é que a prefeitura não tem quantidade grande de pessoas para fiscalizar. Por isso acaba acontecendo a imprudência. É extremamente fraco o sistema de fiscalização”, reforça.
“Eles autorizam o Habite-se e não voltam para saber se a árvore continua lá”, acrescenta.
Ferrazoli salienta que há casos em que a Semma permite o corte de árvores localizadas em frente a estabelecimentos comerciais, para visualização da fachada ou da logomarca da empresa. “Ao meu ver, esse não é um critério que deveria ser atendido”, avalia.
Os ambientalistas defendem que a arborização urbana deve ser expandida por vários fatores. Entre eles, estão a purificação do ar; reciclagem de gases; retenção de umidade; redução da temperatura (árvores evitam que raios solares atinjam o solo e as pessoas); redução da velocidade do vento, abrigo para a fauna, redução de ruídos urbanos e embelezamento.
Eles citam locais pobres em árvore, como a região central, o Núcleo Mary Dota, o Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000) e o trecho recém-duplicado da avenida Getúlio Vargas.
“É por isso que no verão as pessoas reclamam das altas temperaturas. Os primeiros carros sempre estacionam sob uma árvore”, diz Ferrazoli.
“Ainda falta consciência e principalmente o setor de construção gosta de derrubar árvores. As pessoas nos abordam para comentar a falta e arborização. A cidade é muito quente”, acrescenta Nunes.
Cuidados
A quantidade de árvores na cidade é pequena e, entre as existentes, muitas delas apresentam problemas ou porque foram plantadas de maneira incorreta, ou porque as espécies não foram bem escolhidas.
É importante escolher as espécies que provocam menos alterações nas calçadas, que liberam pouca quantidade de folhas e que atinjam, no máximo, quatro a cinco metros de altura na fase adulta.
Nunes cita algumas cujas copas chegam a medir, no máximo, dois a três metros de diâmetro: murta, ipê de jardim, flamboyantzinho, hibisco, resedá anão, urucum e chapéu de napoleão.
“As pessoas alegam que as árvores estragam as calçadas ou sujam, mas há muitas espécies que cumprem o mesmo papel sem causar transtornos”, reforça o presidente do Vidágua.
Sob fiação elétrica, o cuidado deve ser redobrado, de acordo com Ferrazoli. “Árvores altas não podem ser plantadas sob fiação, como palmeiras, macaúbas e gerivás. Pinus e eucalipto não pode nem fora de fiação”, expõe.
Ele explica que o ficus, que é amplamente utilizado nos passeios, não cresce muito mas destrói as calçadas.