Bairros

Bauru tem déficit de 75 mil árvores

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Falta verde na cidade de Bauru. Embora ela esteja envolvida por três importantes áreas de preservação ambiental, localizadas na zona rural e em municípios vizinhos, a arborização da área urbana é bastante deficiente.

Calcula-se haja apenas cerca de 35 mil árvores, ou seja, aproximadamente uma para cada dez habitantes. De acordo com ambientalistas, o aceitável seria uma árvore para cada dois ou três moradores da cidade, enquanto o ideal é uma por pessoa. Assim, para cumprir o índice considerado aceitável, Bauru deveria ter 75 mil árvores a mais do que tem hoje. Já para atingir o índice ideal, a cidade teria de plantar mais 295 mil árvores.

Se no passado Bauru era conhecida por sua beleza e pelo verde abundante, hoje o morador convive com áreas praticamente “desertas” no que tange à vegetação. A arborização não acompanhou os largos passos da expansão da cidade.

Motivos para plantar não faltam: árvores ajudam a purificar o ar, reduzir a temperatura e os ruídos urbanos, e ainda tornam a cidade mais bonita - só para citar alguns.

A região central é um exemplo clássico da falta de árvores. É possível andar algumas quadras sem encontrar ao menos uma árvore no caminho - realidade bastante distante da buscada pelo poder público, que é de no mínimo uma por casa ou estabelecimento comercial.

Em bairros como Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000) e Pousada da Esperança, entre muitos outros, a situação é semelhante. Vizinhos disputam vagas para estacionar seus veículos sob as poucas árvores existentes em cada quarteirão.

Já o Jardim Estoril é considerado exemplo na cidade devido à grande quantidade de árvores. “No Estoril, o ar está sempre limpinho. Os bairros deveriam ter mais árvores”, diz Osvaldy Martins, morador do Parque São João.

Luiz Carlos da Silva, do Parque Roosevelt, também reclama. “Não chega a ter uma (árvore) em cada casa. Tem bem menos. Somente uma três por quarteirão. E olhe lá”, enfatiza.

Por outro lado, muitos comerciantes rejeitam imóveis com árvores na calçada porque elas supostamente prejudicariam o negócio. Ou, muitas vezes, solicitam à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) autorização para cortá-las.

Na opinião de ambientalistas, faltam políticas públicas para resolver o problema. “Tudo é vontade política. Se a Secretaria (Municipal de Meio Ambiente) criasse um programa que estimulasse a população a fazer o plantio, centenas de pessoas plantariam árvores em frente a suas casas”, acredita Kláudio Cóffani Nunes, presidente do Instituto Ambiental Vidágua.

As críticas não páram por aqui. A fiscalização da Semma contra podas drásticas e cortes também é considerada ineficaz. “O que acontece é que a prefeitura não tem quantidade grande de pessoas para fiscalizar. Por isso acaba acontecendo a imprudência”, destaca o ambientalista Ivan Ferrazoli.

O agravante é que, além da falta de árvores, há inúmeras espécies inadequadas espalhadas pela cidade que provocam danos às calçadas ou à fiação elétrica, além de sujeira excessiva nas casas. É o caso da sibipiruna.

A prefeitura defende-se com o argumento de que deve ser implantado em Bauru um projeto piloto de arborização urbana. Entretanto, não sabe-se ainda em que bairro ele será realizado e não há data prevista para início.

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