Cultura

Direito à educação de qualidade


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Na Tribuna do Leitor deste jornal do dia 14 de julho foi publicada uma carta do senhor Lineu Roberto de Souza, na qual ele criticava a atual greve das universidades estaduais paulistas. Como estudante da Unesp (assim como seus dois filhos), sinto-me com o direito de esclarecer o senhor Lineu a respeito de alguns pontos cruciais e intoleráveis que levaram não apenas os professores da Unesp, mas também os estudantes desta universidade à atual greve. Primeiramente: esta greve não tem por objetivo o aumento do salário dos professores, e sim a melhoria da qualidade de nossa universidade. Talvez não seja o caso dos filhos do senhor Lineu (infelizmente há uns dois ou três cursos privilegiados aqui no câmpus de Bauru), mas nós, estudantes (sim, estudantes, e não somente os professores), estamos sofrendo com a falta de material humano (professores) e físico (laboratórios).

Com a reforma da Previdência, houve um esvaziamento das cadeiras docentes na Unesp e elas até hoje não foram ocupadas novamente. Para se ter noção: neste primeiro semestre letivo estou cursando seis disciplinas. Cinqüenta por cento delas são ministradas por professores conferencistas - só vão para a universidade dar a sua aulinha furreca e nada mais, nem atendimento dos próprios trabalhos exigidos pela disciplina eles prestam. Agora, imaginem o meu caso: último ano de faculdade e metade dos meus professores não pode orientar o meu trabalho de conclusão de curso (TCC) porque não possue qualquer outro vínculo com a universidade que não seja dar a sua aulinha, pois eles foram contratados só para tapar buraco, em regime de urgência. E o pior: faço jornalismo, meu TCC é na área de televisão. Digam-me: como posso realizá-lo se a ilha de edição (laboratório de TV) está pifada e não existe dinheiro para consertá-la (apenas consertá-la) porque o senhor Geraldo Alckmin diz que é impossível aumentar o repasse do ICMS (um pífio imposto) para as universidades públicas? É, senhor Lineu, acho que o problema não é a demora no calendário em seu filho ou eu nos formamos (porque isso vai acontecer, pode ficar tranqüilo, esse nosso direito está assegurado pela Constituição Federal). O problema é saber que nós vamos ser só mais duas marionetes nas mãos de políticos que não estão compromissados com a educação de qualidade e de um mercado preocupado em nos engolir. (Graziela Sanitá Lavezo, estudante de jornalismo da Unesp – RG 34549565-2).

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