Economia & Negócios

Cartão de crédito cresce e dívidas também

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

O dinheiro de plástico está invadindo de maneira agressiva e rápida o bolso dos consumidores. Nos últimos cinco anos, as empresas de cartões de crédito “capturaram” 47,5 milhões de usuários - aumento de 101% entre 1999 e 2003 -, de acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). O problema é que muitas dessas pessoas sequer solicitaram o crédito; outras não sabem como administrá-lo e se atrapalham com os juros e taxas de administração.

Segundo Silvio Orti, coordenador do Procon de Bauru, das 180 reclamações registradas por mês na entidade, cerca de 10% referem-se a cartões de crédito. “É uma verdadeira armadilha. Para ter cartão, a pessoa precisa saber lidar com ele”, salienta.

Orti destaca que essa oferta “gratuita” de cartões de crédito tem como objetivo colocar uma “arma” na mão do consumidor. “Se a pessoa não for cautelosa, ela acaba se endividando muito com as operadoras e não dá conta de pagar.”

Ele se refere a uma prática que é muito comum entre as empresas do setor: o envio do cartão para o usuário sem que ele tenha solicitado; ou, em outros casos, a parceria com determinadas empresas para a distribuição “gratuita” do crédito.

Essa prática agressiva de atingir o consumidor resultou num crescimento acelerado do segmento. Dados da Abecs mostram que o número de portadores de cartão cresceu 101% nos últimos cinco anos.

Até mesmo pessoas de baixa renda são “beneficiadas” com esse recurso, que libera crédito mas, ao mesmo tempo, envolve o usuário numa bola de neve de taxas e juros. “Para as administradoras, quanto mais clientes, melhor, pois elas faturam dobrado”, diz Orti.

Além de receberem do usuário, com a cobrança da anuidade e juros rotativos, as empresas têm receita garantida por parte dos estabelecimentos comerciais, que pagam uma taxa de cerca de 4% sobre o valor da venda cada vez que comercializam através desse sistema, mais um determinado valor pelas máquinas que autorizam o débito.

“É um excelente negócio para as administradoras de cartão, que têm receita dupla”, destaca o coordenador do Procon.

O presidente da Abecs, Jair Scalco, confirma que o crescimento do setor gira em torno de 25% ao ano aproximadamente. Ele atribui essa elevação à boa aceitação do instrumento no mercado, elencando uma série de benefícios, tais como facilidade no pagamento e prazo para pagar sem juros. “Os cartões são aceitos em vários estabelecimentos, sem a necessidade de comprovação de renda ou qualquer outro empecilho na hora da compra”, salienta.

No entanto, também confirma que as empresas do ramo assumiram, nos últimos anos, uma posição agressiva na busca por clientes. “Dar crédito é uma ciência”, destaca.

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