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Diálogo e limites devem ser bem medidos

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 4 min

É fato que hoje as crianças se desenvolvem mais rápido fisicamente e até mentalmente. Vão mais cedo à escola, passam mais tempo em frente às telas de TV e computador, praticam inúmeras atividades esportivas e ganham um corpão de 15 anos com cabeça de 10.

Especialista em adolescentes, a psicóloga Maria Regina Corrêa Vanin revela a preocupação dos profissionais do comportamento não só com o início da vida sexual precoce, que pode acabar (e geralmente acaba) em gravidez precoce, mas com o fato de muitos pais deixarem os filhos dirigirem antes da idade permitida ou ainda consumir cosméticos e celulares com apenas 8 anos.

Ela aponta que a mídia tem sua parcela de culpa ao incentivar o consumismo exacerbado. Essa influência negativa, aliada a outros fatores da vida urbana da sociedade de consumo, fez com que as crianças perdessem a infância e seus processos naturais de descoberta e aprendizado.

“Hoje a tecnologia está muito presente na vida das pessoas e não se brinca mais como antes, as crianças passam mais tempo recebendo informação e tendo acesso a conteúdo adulto, quando deveria viver e buscar coisas do seu mundo. E quanto mais urbana é esse adolescente, pior, pois todo mundo tem comportamento de adulto”, explica.

Na tentativa de não reproduzirem a educação muitas vezes repressiva que receberam, os pais dos tempos modernos também são mais permissivos com os filhos. Mas na maioria dos casos, foram pais pré-adolescentes que hoje formam um grupo que não sabe ao certo o que fazer para educar sua prole. Eles mesmos não atingiram maturidade suficiente.

“O que se percebe é uma grande dificuldade de conversar e impor limites. A criança é cheia de dúvidas e deve ser orientada desde cedo a não seguir o fluxo geral das coisas ou dos amigos. É preciso que o pai saiba com quem o filho anda e também na casa de quem dorme a filha de 15 anos. O adolescente muitas vezes se encontra perdido num grupo sem saber o que fazer por não ter bons modelos”, adverte Regina.

Sob esse aspecto, o diálogo consegue aliviar a pressão social, desde que os pais ao conversarem com os filhos saibam mostrar as conseqüências de uma atitude impensada e analisá-las. “Deve-se pensar junto se vale a pena transar ou perder o namorado.”

Mesmo que uma represália acabe gerando atos de rebeldia, a psicóloga relembra que a adolescência em si já é uma fase de afirmação da identidade, de uma normal rebelião interior, da criação de valores. “É um processo de liberdade saudável, que não justifica a perda de controle por qualquer atitude.”

Nesse sentido, a psicóloga aconselha que o processo de socialização seja o mais diverso com atividades ligadas ao esporte, as artes e a cultura que estimulam os processos de auto-conhecimento e desenvolvimento da auto-estima.

Respostas precisas

Numa breve análise, a psicóloga, terapeuta de casais e famílias e sexóloga Dalva Taborianski aponta que a geração do livrinho (referindo-se às pessoas por volta dos 40 anos, que buscavam informações nos livros e revistas) foi superada pela geração multimídia e perdeu o controle.

“Do ponto de vista médico e psicológico, essa menina exposta ao sol, ativa e que pratica esportes e faz mil coisas vai crescer mais rápido. A partir do momento em que o corpo se desenvolve, os hormônios também acompanham o processo e com o estímulo das cenas eróticas que estão a nossa volta em todo tempo e lugar, as coisas acontecem mesmo. Tudo rola mais cedo, sim. Até na sala de casa numa sessão de cinema com pipoca e a turma inteira espichada no chão”, comenta a sexóloga.

Apesar da aparente liberdade que a sociedade prega, Dalva adverte que os pais se esqueceram por completo de impor regras e muitos deles desconhecem o fato de que os filhos (mesmo brigando, fazendo escândalo, chorando e gritando), no fundo, no fundo, entendem que o limite é sinal de preocupação.

“Os pais não devem ir de encontro aos filhos, mas sim ao encontro deles. Não é preciso expor tudo. Se o filho pergunta como nasceu. Responda isso e pronto. Nunca deixe-o sem resposta. Mas quem responde aquém, inibe e quem responde além, incentiva, mesmo sem querer.”

A terapeuta aponta que hoje pais e filhos usam os profissionais como mediadores de suas conversas.

Como sexóloga, revela que mesmo nesses tempos de liberdade exacerbada todos os jovens têm vergonha no início da vida sexual. Ainda hoje existem aqueles que ainda temem o primeiro beijo, os assanhadinhos e inconseqüentes e aqueles que mesmo precoces, levam uma vida afetivo sexual com cuidado e numa boa.

Para todos eles, os segredos, mistérios e problemas serão sanados com o amadurecimento e para que isso aconteça, os pais devem deixar o espaço aberto para que o diálogo flua. Pode ser difícil, doloroso, mas é um processo vital para todos.

Pseudo maturidade

Na atualidade, ficar adulto é uma tarefa cada vez mais difícil. É necessário ter curso superior, pós-graduação e para atingir a tão sonhada independência, passa-se mais tempo dependendo dos pais. Consequentemente, muitos filhos acabam sentindo-se adolescentes por mais tempo, pois os pais fazem questão de proteger e mimar. São pessoas crescidas, mas não maduras o suficiente e em muitos casos, acabam sofrendo por perderem a noção de seus direitos e deveres.

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