Economia & Negócios

Agentes da Febem pedem apoio a Nilson

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Agentes da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru e região, em greve desde o início do mês, fizeram uma manifestação ontem em frente ao Palácio das Cerejeiras para pedir que o prefeito Nilson Costa (PTB) interceda junto ao governo do Estado pela abertura das negociações salariais.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sitraemfa), Antonio Gilberto da Silva, a expectativa de que Nilson atendesse o pedido da categoria era grande.

“Ele foi um dos únicos, se não o único prefeito, a conceder reajustes salariais aos servidores públicos em todos os anos de sua administração, o que mostra total respeito aos funcionários”, defende Silva.

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, Nilson concordou em encaminhar a solicitação dos manifestantes ao governo, mas deixou claro que, não fazendo parte do partido do governador nem dos partidos que o apóiam na Câmara Municipal, pouco poderá fazer pela causa.

Cerca de 100 agentes de Bauru, Marília, Lins e Araçatuba participaram da manifestação de ontem, que começou em frente à unidade local da Febem.

“Nós fomos orientar os funcionários que estão lá dentro, porque soubemos que eles estavam instigando os adolescentes a fazer represália aos grevistas quando estes voltarem ao trabalho”, comenta Silva.

Mais tarde, os agentes seguiram para a Praça das Cerejeiras e discursaram para a comunidade. “A Febem de Bauru é a unidade com maior número de problemas no Estado e está num momento delicado. Falta tudo lá, inclusive material de higiene pessoal, que os familiares têm que levar, e a fundação ainda quer abrir uma segunda unidade em Bauru”, destaca Silva.

Segundo ele, os agentes da Febem não têm reajuste salarial há oito anos. As principais reivindicações da categoria são aumento de 24,76%, estabilidade no emprego, segurança e outras melhorias nas condições de trabalho e aplicação integral do plano de cargos e salários.

O sindicalista comenta que, nos anos anteriores, o governo alegava estar engessado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita os gastos com folha de pagamento. No entanto, houve um aumento de 4,5% na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e surgiram outras alegações para a não-concessão do aumento.

“O que nos deixa preocupados é que não querer dar o reajuste e não querer negociar significa, efetivamente, que o governo está caminhando para a privatização da Febem, como vem anunciando a todo momento”, destaca.

“Isso vai causar um grande prejuízo à sociedade, porque nós já vivenciamos privatizações em várias unidades que não deram certo. Quem acabou pagando o preço disso foram os trabalhadores, os adolescentes e, principalmente, a população, que vê o dinheiro de seus impostos escorrer pelos ralos das obras emergenciais”, acrescenta o presidente do Sitraemfa.

Além dos prefeitos, os manifestantes afirmam que vão buscar apoio também junto aos deputados estaduais da região. “Até o momento não houve negociações. Teremos uma reunião quarta-feira (amanhã) com a Febem para ver se haverá negociação, mas até agora não houve nenhuma contraproposta ou alternativa ao que foi colocado (pela categoria)”, encerra.

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