A greve de professores e funcionários da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru completa 59 dias hoje e continua sem uma definição. De acordo com o diretor da Associação dos Docentes e Servidores da Unesp (Adunesp) de Bauru, Gilberto Magalhães, a situação caminha para um sério impasse.
Segundo ele, o Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp) vem negando o reajuste sob a alegação de problemas orçamentários. Nos últimos três meses, porém, o próprio governo anunciou aumento da arrecadação.
“E agora eles alegam que não vão negociar por causa dos piquetes. Só que os piquetes vêm sendo realizados desde o início do movimento e ninguém havia se incomodado até então”, reclama.
Segundo o coordenador do Fórum das Seis - entidade que congrega sindicatos de funcionários das três universidade estaduais -, Milton Vieira do Prado Júnior, a conclusão da categoria é que os reitores não querem negociar.
“Houve cinco reuniões anteriores, independentemente dos piquetes. Nossa avaliação é de que eles não querem negociar. A intransigência está daquele lado, não do nosso”, acrescenta.
Os representantes da categoria lembram que a reivindicação inicial era de 16% e que, diante da alegação de problemas orçamentários, os próprios trabalhadores baixaram o percentual para 9,41% e, desde então, não houve retorno por parte dos reitores. Eles alertam que, se não houver abertura das negociações até amanhã, mais uma manifestação deverá ser feita em São Paulo.
O adiamento na última hora de uma reunião marcada no Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo também mantém a greve dos servidores do Poder Judiciário, paralisados desde o último dia 29.
De acordo com a presidente da Associação dos Funcionários do Poder Judiciário de Bauru, Luciana Dias Duarte, a reunião estava marcada desde a semana passada. No horário previsto, porém, o presidente do TJ teria se recusado a receber a comissão toda, nomeando apenas alguns servidores para a negociação.
“A comissão não aceitou e não houve reunião. O presidente poderia ter resolvido a situação de forma tranqüila, mas infelizmente, o impasse continua. O servidor tem se mostrado sempre disposto a negociar. Quem está em falta conosco são eles, que fizeram um acordo de reajuste de 26,39% e não cumpriram”, defende.
Diante do adiamento, a comissão de greve protocolou um pedido de intervenção no Estado através do “Pleno”- órgão especial do TJ. “Nossa alegação é que o Poder Executivo está ingerindo sobre o Judiciário ao negar-lhe verbas às quais o servidor tem direito”, explica. Enquanto aguardam, os servidores mantêm a paralisação.