Por medida de segurança, os 89 quilos de cocaína apreendidos anteontem à noite em Bauru e que teriam como destino a Espanha, já foram destruídos. A droga estava escondida dentro de dois cilindros de aço fabricados em uma oficina na cidade e que já estavam prontos para viagem.
O delegado titular da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), José Henrique Gomes dos Santos, explicou que decidiu incinerar a droga já no dia seguinte ao da apreensão pelo risco em guardar quantidade tão grande de cocaína. “A investigação continua, mas não precisamos guardar essa quantia de droga”, disse.
A cocaína está avaliada em quase R$ 1 milhão. A incineração, realizada no forno de um frigorífico de Bauru, foi feita na presença de policiais civis e testemunhas. Antes dos pacotes da droga serem jogados no forno, eles passaram por teste químico, que confirmou tratar-se de substância entorpecente.
Também por medida de segurança, as três pessoas que foram presas acusadas de estarem traficando a cocaína - um bauruense, um espanhol e um português - foram transferidas da Cadeia de Avaí para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru. De acordo com Doniseti Pinezzi, delegado seccional em exercício, o CDP oferece maior segurança.
O receio da polícia era que alguém tentasse resgatar o trio da Cadeia de Avaí. Santos não divulgou à imprensa os nomes dos três presos. A Lei de Entorpecentes, diz, permite a divulgação dos nomes de envolvidos em tráfico somente após a sentença da Justiça.
Santos contou que ouviu os três homens presos, mas não revelou se obteve informações de como a cocaína chegou a Bauru e como iria passar pela fiscalização ao embarcar para a Espanha. “Pelo que apuramos, a droga seguiria para São Paulo e de lá para a Espanha de avião”, disse.
Porém, comentou que acredita que o português e o espanhol tenham vindo ao Brasil especialmente para buscar a cocaína. A maioria dos cerca de 80 pacotes de cocaína achados dentro dos cilindros continha um selo com a frase “Calidad Certificad” e o desenho de uma concha com uma pérola ao centro, símbolo do cartel de Bogotá, segundo os policiais. “O selo nos pacotes de cocaína dá indício que a origem da droga é a Colômbia, mas ainda estamos investigando isso”, comenta o delegado.
Os dois cilindros, que são peças de aço ocas, com tampa, foram fabricados na oficina sob encomenda do bauruense preso. Ao fazer o pedido, há alguns meses, ele teria dito que as peças seriam usadas na indústria alimentícia da Espanha. Ele retirou os cilindros da oficina e, depois de certo tempo, anteontem à noite, voltou com as peças para o estabelecimento para fazer o polimento.
Policiais da Dise, que vinham investigando uma informação de tráfico internacional de drogas em Bauru e observando a movimentação do bauruense preso, apreenderam os cilindros quando eles chegavam à oficina, já com a tampa lacrada. Ao abrir as peças, serviço feito por funcionários da oficina, os policiais constataram que elas estavam recheadas de cocaína.
Santos disse que até ontem não havia suspeitas de que o dono ou funcionários da oficina estejam envolvidos com o tráfico. “Vamos continuar investigando”, afirmou. A oficina já teria feito cilindros semelhantes anteriormente para o bauruense preso.