Quero compartilhar com vocês algumas considerações acerca da idade avançada. Meu avô faleceu recentemente, aos 92 anos. Que maravilha, ele foi abençoado por Deus (Pr 9, 11). Quem muito vive acumula sabedoria e tem a oportunidade de, usando-a, alcançar a paz mesmo aqui na Terra. O avançar do tempo vai nos conferindo serenidade, ponderação e, acima de tudo, paciência. Há anos venho percebendo que ser idoso é diferente de ser velho. Peço licença ao meu amigo José Antônio Jorge para reproduzir alguns trechos do seu valioso Dicionário Informativo, a fim de ilustrar essa diferenciação:
“Idoso é quem tem muita idade; velho quem perdeu a jovialidade. A idade causa a degenerescência das células; a velhice causa a degenerescência do espírito. O idoso se pergunta se vale a pena; o velho, sem pensar, responde não. O idoso sonha; o velho somente dorme. O idoso ainda aprende; o velho já nem ensina. O idoso se exercita; o velho apenas descansa. O idoso ainda sente amor; o velho só sente ciúmes. O idoso vive o dia de “hoje” como o “primeiro” dos demais de sua vida; o velho vive “todos os dias” como o “último” de sua longa jornada. O idoso tem “amanhãs” em seu calendário; o velho só tem “ontens”. O idoso se renova a cada dia que começa; o velho se acaba a cada noite que termina. O idoso tem planos; o velho tem saudades. O idoso possui rugas que foram marcadas pelo sorriso; o velho possui as vincadas pela amargura. Ainda que com a mesma idade em cartório, idoso e velho possuem idades diferentes em seu coração”.
Deu para entender a diferença? Ela é bastante grande, mas depende somente da nossa forma de encarar as situações e os acontecimentos da vida. Podemos ser velhos ou optar por ser idosos. A idade está mais na cabeça do que no corpo. Cansei de ver jovens envelhecidos e idosos joviais. É tudo resultado das opções que vamos fazendo ao longo da nossa caminhada. Possuo uma colega que já é velha faz tempo. Há 15 anos, ela usa o mesmo discurso de hoje: “Como sou mais velha, sou também mais limitada”. Essa foi a forma que ela arrumou para se esquivar dos trabalhos difíceis e justificar seus possíveis fracassos. No fundo, sempre lhe faltou coragem para enfrentar os desafios que a vida constantemente nos oferece.
E você, é idoso ou velho? Sonha ou apenas dorme? Aprende ou já nem ensina? Vive ou pede para morrer? É bom refletirmos acerca de tudo isso, pois colheremos amanhã o que plantarmos hoje. A existência é cheia de surpresas, algumas boas outras ruins. O segredo está em acolher a vida como ela se apresenta para nós, aceitando os maus momentos da mesma forma que aceitamos os bons. Desejo, sinceramente, que todos nós possamos ter uma vida longa e que, “idosos”, nunca fiquemos “velhos”!
A autora, Maria Regina Canhos Vicentin, é psicóloga.