Tribuna do Leitor

Algumas razões da greve


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Tem gente que escreve sobre a greve nas universidades apenas usando a tática de desqualificar. Esquece-se que nessa prática também se (auto) desqualifica. Pode demorar um tempo para ser percebida, mas a desqualificação se impõe. Goebbels e Hitler são exemplos extremos.

Vamos aos fatos: maio é mês reconhecido para reajustes salariais dos servidores das universidades (aumento, nem pensar); no ano passado, o governador Geraldo Alckmin impôs um acréscimo de 5 pontos percentuais no desconto previdenciário estadual, ou seja, desde setembro estamos com diminuição salarial real; nas rodadas de negociação foi-nos sempre, bondosamente, oferecido “zeroaldo” porcento e, de parte do governo, declarou-se encerradas as negociações. Há cerca de um mês, para a reabertura de negociação, foi imposta a condição de apresentarmos uma proposta “realista”. Apesar de passarmos nossa proposta de 16% para 9,41%, as negociações não foram retomadas. Há arrecadação de ICMS, já consolidada, que permite reajuste imediato e escalonamento de reajustes no segundo semestre (quando a arrecadação é bem maior; entende-se lendo matérias de economia neste Jornal da Cidade), mas continuamos com “zeroaldo”.

Mas com dinheiro público, em montante decidido diretamente no gabinete do governador Geraldo Alckmin, pratica-se uma expansão irresponsável de vagas nas universidades. Na Unesp houve a criação de oito “unidades diferenciadas”, onde aparecem coisas como um professor lecionar sua disciplina dias seguidos, no período todo, encerrando-a em duas semanas, após o que retorna para seu câmpus de origem (nem nas piores privadas se comete esse abuso com o ensino). Alguns professores aceitam cumprir esse triste papel porque têm ganho extra para isso. Funcionários, escolhidos entre apaniguados políticos, são deslocados para essas “unidades” recebendo, através do artifício de diárias, montantes que variam de um e meio a dois salários extras. Coroando a encrenca, elas foram criadas ao arrepio da lei, prenunciando sérias complicações para validar diplomas.

Expandir o ensino superior público é uma necessidade. Para saber que pode ser feito com qualidade basta ver a Unesp em Bauru.

Geraldo A. Bergamo, professor da Unesp, RG 5.538.451

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