Bairros

Asfalto comunitário ainda não deslancha

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Passados mais de dois meses da assinatura do contrato para pavimentar 600 ruas de terra de Bauru através do programa de asfalto comunitário, a obra ainda não começou a ser feita. As empresas que venceram a concorrência aberta pela prefeitura para executar o serviço ainda estão contatando os moradores, que terão que pagar pelo asfalto.

O plano de asfalto comunitário só é executado nas ruas em que pelo menos 75% dos donos dos imóveis em aceitarem pagar pelo asfalto. Os outros 25% serão custeados pela prefeitura, que na ocasião da assinatura do contrato com as empresas informou dispor de R$ 5,1 milhões para a obra.

A falta de interesse dos donos dos imóveis em aderir ao programa do asfalto pago é um dos empecilhos apontados pelas empresas para iniciar logo as obras. As empresas vencedoras da licitação, H. Aidar Pavimentação e Obras Ltda., Fortpav Pavimentação e Serviços Ltda. e Jaupavi Terraplanagem e Pavimentação Ltda. têm até maio do próximo ano para fazer o asfalto.

Porém, moradores consultados pelo JC afirmam que aceitam pagar pelo serviço. “Semana passada fizemos uma reunião no Jardim Silvestre e 100 pessoas compareceram, mas só 50 se interessaram”, aponta Natanael Silvestre, gerente da Fortpav.

A empresa foi a escolhida para negociar a pavimentação para aproximadamente 20 bairros da cidade, entre eles Vila Engler, Vila Galvão, Núcleo Geisel, Ferradura Mirim, Jardim Eldorado, Vila Santa Luzia, Jardim Flórida e Jardim Colina Verde.

Segundo ele, a Fortpav já realizou, em parceria com associações de moradores, outros 30 encontros para explicar as propostas relacionadas ao asfalto comunitário, mas o número de pessoas interessadas ainda não é suficiente para completar 75% de adesão determinada pelo plano. “Nossa principal dificuldade é a aceitação dos moradores em relação aos valores e normas que o plano determina”, aponta o gerente. “Ainda estamos tentando correr atrás das pessoas”, completa.

O valor cobrado pela pavimentação varia conforme o tamanho do imóvel, mas estima-se que o custo do metro linear ficará entre R$ 150,00 e R$ 195,00. “Vamos supor que a média do custo de asfalto (de um imóvel), com guia e sarjeta, é de R$ 195,00. Se a casa tiver dez metros quadrados, o custo é de R$ 1.050,00. Mas se o terreno for em uma esquina que tem dez metros quadrados de frente por 30 metros quadrados de lado, esse valor é de aproximadamente R$ 8 mil reais”, exemplifica Natanael.

A baixa adesão ao programa do asfalto pago também é o motivo citado pela empresa H. Aidar para ainda não ter iniciado as obras. “O plano comunitário funcionava muito bem em Bauru há alguns anos, mas as administrações anteriores resolveram parar de fazer. Criar novamente essa filosofia de que o munícipe deve pagar o asfalto não é uma coisa que se faz da noite para o dia. Hoje é mais difícil porque é preciso convencer, mostrar para as pessoas que é viável”, diz o proprietário da empresa, Halim Aidar Júnior.

Há duas semanas, a H. Aidar - que foi selecionada para trabalhar na Vila Zillo, Vila Aviação e Jardim Europa - vem realizando pesquisas nos bairros. “Entramos em contato com os moradores e passamos para eles o preço e condições de pagamento”, explica Halim.

Ele reconhece que o custo da pavimentação é alto, mas salienta que o imóvel ganhará muito mais em valorização. “Como é derivado de petróleo, o asfalto subiu muito. Passou a custar muito caro para nós (empreiteiras) e, conseqüentemente para o munícipe”, aponta. “O valor não é pequeno, mas o imóvel será valorizado muitas vezes”, ressalta.

Nenhum representante da empresa Jaupavi - vencedora da licitação para os bairros Parque São Geraldo, Santa Edwirges, Núcleo Andorfato, Parque Jaraguá, Parque Viaduto, Parque das Bandeiras e Vila Pacífico - foi encontrado para comentar sobre o assunto.

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