Compro fuzil AR-15 ou HK 45, pago R$ 300,00; vendo avião Cessna bimotor por R$ 1.000,00; modelo de corpo escultural, ainda inexperiente, oferece-se para acompanhar marmanjo bem intencionado. O leitor certamente já verificou que tanto o avião como o modelo são fictícios. No entanto, a compra das armas é pura verdade. O governo quer comprá-las por preço aviltado, obviamente para desviar a atenção de outros problemas emergentes ou quiçá demonstrar a preocupação, que nunca teve, com a dramática violência que aflige a população.
Ou será que os nossos dirigentes são tão ingênuos, a ponto de imaginar que bandidos e quadrilheiros irão depositar armamentos pesados na Polícia Federal? Como bem disse o delegado responsável pela campanha: as pessoas de bem entregarão suas armas. Todavia, o cidadão honesto possuirá, no máximo, um pequeno revólver ou arma semelhante.
Mais uma vez, a política de segurança pública começa pelo lado errado, tomando armas de cidadãos decentes, conquanto que os bandidos continuarão bem armados, importando arsenal de combate, para intimidar corporações policiais e o povo trabalhador.
Lembremos do cadastramento dos celulares. Ridículo, não serviu a nada, a não ser para incomodar os usuários honestos, porque nos presídios continuam a entrar telefones móveis clonados ou furtados para contatos com centrais clandestinas. Como diria Charles de Gaulle, este país não é sério. Perdoem-se pelo chavão.
José Zonta Júnior - advogado - OAB - 131885