Bairros

Médicos do PS pedem mais autonomia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Médicos dos prontos-socorros (PS) municipais de Bauru protocolaram nesta semana um documento junto à prefeitura solicitando algumas modificações no gerenciamento dos PSs. Autonomia para definições internas, participação nas decisões administrativas, adiamento da implantação do Pronto-Atendimento Médico (PAM), contratação de mais médicos e melhores condições de trabalho são as principais reivindicações.

De acordo com a médica Maria Luíza Cury, uma dos 24 profissionais que assinam o documento, uma das principais necessidades identificadas pelo grupo atualmente é poder participar mais das discussões e decisões administrativas referentes ao funcionamento das unidades.

“Estamos pedindo a oportunidade de escolher o novo diretor do Departamento de Urgências e Emergências - cargo hoje acumulado pelo secretário municipal de Saúde, João Sérgio Carneiro. E que esse departamento tenha mais autonomia para decidir a escala de plantões das unidades descentralizadas de pronto-socorro, por exemplo”, cita.

Os médicos alegam que todas as decisões referentes ao funcionamento das unidades partem da administração municipal, mas sem qualquer tipo de consulta aos profissionais. “A maioria de nós trabalha na saúde pública há mais de dez anos e é muito difícil aceitar algumas coisas sem questionar se isso está sendo bom para nós e para a saúde da população”, observa a médica.

Outro ponto abordado pelos médicos é a necessidade de contratar mais médicos para atuar nos prontos-socorros e postos de saúde do município. “Hoje nós estamos em 38 pediatras. O ideal, para cobrir todos os lugares, seria 60 pediatras”, exemplifica.

A situação, que já se mostra alarmante há alguns anos, fica ainda mais complicada. Só nesta semana, dois pediatras pediram exoneração. Procurados pela reportagem, os médicos Pedro Miguel Carvalho Gianvecchio e Rosangela Percinio Gianvecchio alegam que a decisão foi motivada pelo descontentamento deles com as atuais condições de trabalho.

“O emprego é ótimo, o salário é bom, a prefeitura é honestíssima, o pagamento é efetuado em dia, mas as condições de trabalho, de operação da saúde pública municipal, estão muito complicadas”, comenta Pedro, sem mais detalhes.

Segundo os profissionais, a situação é tão crítica que um único médico chega a atender 80 pacientes num turno de 12 horas, o que representa uma média de nove minutos de atenção para cada paciente.

De acordo com Cury, o Conselho Regional de Medicina, recentemente, fez um diagnóstico das condições de trabalho nas unidades de saúde, apontou a necessidade de algumas reformas, mas nada teria sido feito até agora.

“E nós perdemos muito com a transferência da pediatria do Hospital de Base para o Hospital Estadual. No Base, nós tínhamos cerca de 60 leitos para internação e cirurgia e já havia dificuldade para internar os pacientes. Hoje, contamos com 30 leitos no Hospital Estadual para atender pacientes de Bauru e região (...) Tem crianças ficando dois, três dias no pronto-socorro porque não temos para onde mandar e pronto-socorro não é para internar, é unidade de passagem”, salienta.

De acordo com o secretário de Saúde, João Sérgio Carneiro, alguns pediatras ameaçam pedir demissão coletiva se as reivindicações não forem cumpridas. “Eles não querem conversar, querem impor o que eles acham (...) Estamos aguardando essas demissões para podermos definir se os que sobrarem vão conseguir tocar o pronto-socorro ou se vamos abrir contratação de emergência”, afirma.

Segundo ele, a situação é delicada já há algum tempo e prefeitura conta com o apoio do Conselho Municipal de Saúde e do Ministério Público para definir quais as melhores estratégias de ação. A reportagem não conseguiu localizar representantes das duas entidades para comentar o assunto.

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Mudança no sistema

A implantação do Pronto-Atendimento Médico (PAM) nos prontos-socorros municipais de Bauru tem sido questionada pelos médicos da rede pública local. Documento protocolado junto à prefeitura com reivindicações dos profissionais pede que o assunto seja melhor discutido antes da implantação.

A médica Maria Luíza Cury explica que o PAM seria um meio-termo entre o núcleo de saúde e o pronto-socorro. Todos os pacientes procurariam aquela unidade e caberia ao médico solucionar os casos de núcleo de saúde e encaminhar os casos de urgência para o pronto-socorro. O PAM faria uma triagem dos pacientes.

“Eu penso que isso não é bom para a população porque não dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. E a população vai sair perdendo com isso, porque o posto de saúde continua sendo uma preciosidade que o cidadão tem, é onde ele dá continuidade aos seus tratamentos”, comenta.

Segundo ela, a opinião dos médicos é que o projeto precisa ser melhor discutido e avaliado antes de sua implantação efetiva. Atualmente, o PAM está sendo testado no Pronto-Socorro Ipiranga e a previsão é de que ele seja implantado em breve nas unidades do Mary Dota e do Jardim Bela Vista.

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