Regional

Ex-prefeito diz que foi induzido a planejar morte de adversário

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Pederneiras - O ex-prefeito de Pederneiras (26 quilômetros a leste de Bauru), Giácomo Bertolini, disse ontem que jamais planejou a morte de Fernando Minguili, presidente do PMDB local e diretor do Departamento Municipal de Administração. De acordo com a versão do advogado da família, João Murça Pires Sobrinho, o ex-prefeito alega que teria sido induzido pelo supervisor de segurança José Roberto Barilli “a praticar alguma represália contra Minguili”. E que isso teria ocorrido, segundo a versão do ex-prefeito, porque José Roberto “teria algo pessoal para resolver com a referida pessoa (Minguili)”.

A versão foi motivada pela publicação, no mês passado, de matéria sobre um suposto plano de execução contra Minguili. Supostas conversas entre Bertolini e Barilli foram gravadas por este último. Durante o diálogo, o ex-prefeito aparece como eventual interessado na morte de Minguili.

As fitas foram entregues à Polícia Civil da cidade, que está investigando o caso. Antes da matéria ser publicada, Bertolini foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou por alegar estar se recuperando de tratamento médico.

O ex-prefeito afirma no documento que foi procurado por diversas vezes por Barilli. Inicialmente, o interesse dele, segundo declara Bertolini, era a pretexto de comandar a instalação de uma suposta guarda municipal em Pederneiras, caso o ex-prefeito fosse novamente eleito.

Alegando estar desconfiado de que o supervisor de segurança havia se aproximado por ordem de uma outra pessoa, Bertolini disse que foi “dando corda” para saber até onde “o rapaz” queria chegar. Segundo o ex-prefeito, teria sido por esse motivo que ele não procurou a polícia para denunciar Barilli.

Bertolini alegou ainda que com tal atitude estaria tentando descobrir o autor de diversas ameaças que suas filhas e netos estariam recebendo, na época, por telefone.

Segundo o ex-prefeito, as ameaças diziam que se ele realmente se candidatasse, “algo de muito ruim” aconteceria com algum parente seu.

Tais ameaças teriam sido recebidas também por César Camarinha, genro do ex-prefeito. Segundo ele, o interesse do sogro em colher informações de Barilli não estaria ligado à vontade de atentar contra a vida de Minguili, mas de obter informações para descobrir de onde partiam as ameaças que a família vinha recebendo.

Camarinha sustenta que a aproximação de Barilli foi uma armação porque em alguns trechos da conversa o ex-prefeito teria sido induzido a falar que tiraria dinheiro da prefeitura para pagar pelo “serviço” de execução, caso vencesse as eleições.

Possibilidade que foi descartada de imediato pelo ex-prefeito, conforme consta em um dos trechos da conversa que os dois tiveram.

Na opinião do ex-prefeito, essa “armação” teria como objetivo desgastá-lo politicamente, uma vez que seu nome estaria despontando na cidade como forte candidato a prefeito nas eleições deste ano pelo Partido Verde (PV).

R$ 10 mil

Enquanto Bertolini alega que “dava corda” ao suposto pistoleiro, as conversas entre eles estavam sendo gravadas. Entre um diálogo e outro, segundo consta nas fitas, o ex-prefeito disse que pagaria R$ 10 mil para Barilli executar Minguili.

Quando o conteúdo das fitas chegou ao conhecimento de amigos e parentes do ex-prefeito, eles tentaram convencer Bertolini a desistir da candidatura a prefeito, principalmente para poupá-lo de desgastes emocionais.

No mesmo dia, 7 de junho último, Bertolini teria tentado se matar com um disparo de arma de fogo na direção do ouvido direito. A bala, no entanto, segundo consta no boletim de ocorrência, não penetrou e o ex-prefeito conseguiu sobreviver.

Dias antes da tentativa de suicídio, parentes do ex-prefeito disseram ter vasculhado a casa em busca de alguma arma, pois já temiam por alguma atitude extremada por ele estar supostamente sofrendo de depressão profunda.

O desejo de suicídio, segundo a família, era manifestado em conversas com amigos e parentes. Mas naquela oportunidade, nenhuma arma teria sido encontrada. Por esse motivo, a família ainda busca explicação de como o revólver Taurus, calibre 38, usada na tentativa de suicídio, chegou até o ex-prefeito.

Para o advogado da família de Bertolini, João Murça Pires Sobrinho, as gravações feitas da conversa entre o ex-prefeito e Barilli foram “inegavelmente produzidas de forma ilícita”. Isso, segundo ele, porque foi feita sem autorização judicial e sem o conhecimento da outra parte - nesse caso, Bertolini.

Com base na legislação vigente, o advogado informou que a atitude caracteriza captação clandestina de conversação por meio de microfones ou gravadores dissimulados.

“Em seu artigo 5º, inciso LVI, a Constituição prevê que ‘são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meio ilícitos”, argumenta Pires Sobrinho.

Depois de gravar as conversas, Barilli entregou as fitas para Minguili e recebeu dele R$ 10 mil como “gratificação” por supostamente ter lhe salvado a vida.

A reportagem tentou entrar em contato com Barilli, mas segundo sua irmã, de nome Rosemari, ele preferiu não fazer qualquer comentário sobre o assunto.

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