A penetrante crise moral que acontece no mundo, em virtude da qual sobrevêm choques e divisões temperamentais entre várias nações, tem origem inconteste na desobediência da ética e da cultura. Idênticas ou correlatas, ambas exercem nos fatos e acontecimentos uma agravante de tal vulto que conseguem macular profundamente os intestinos sociais e políticos das sociedades, predispondo-os às enfermidades que as opulências dos países, contrariando as expectativas das comunidades, não conseguem eliminar suficientemente, uma vez que os veículos de tais culturas universais se colidem nas encruzilhadas das ambições em jogo e colocam nos hospitais das piores ingerências os indivíduos feridos nos choques que os vitimam.
Ao antagonismo e ao desrespeito reinantes falta raciocínio lógico para reconhecer a necessidade evidente de uma política social que, sobrepondo-se à animalidade dos funestos impulsos, possa equilibrar suas populações e seus dirigentes e as converja para a harmonia que os afaste de seus desentendimentos e de seus entrechoques, como os que, anos seguidos, acumulam-se em tantas regiões, iguais aos que estão acontecendo entre Israel e Cisjordânia, tendo como pivô um muro separatista de ambos os países, furtando, então, de suas comunidades, o direito a uma vida assentada na paz, na justiça e no progresso, fruto do pleno exercício da ética que não pode deixar de existir dominantemente, entre os seres humanos, porque tem ela, nas suas arraigadas entranhas, todos os fundamentos da verdadeira educação social que, tranqüilizando os espíritos rebeldes, pacifica revoltas e une os detentores de objetiva e reconhecível boa vontade, colocando à sua frente os sagrados horizontes da desejada concórdia.
Ética e cultura nunca poderão deixar de andar de mãos entrelaçadas, pois não são inimigas figadais reconhecidamente, em nada se igualando às crises que vão e que vêm ao sabor de caprichos inconfessáveis e ganâncias condenáveis. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado, é o jornalista responsável do JC.
“Todos aqueles anos de que dispõe a nossa vida voam céleres num turbilhão de acontecimentos, razão pela qual o passado é este que já vivemos, e, porque tudo passa, um dia seremos antepassado também!”