Há mais ou menos um mês li neste jornal uma afirmação de uma autoridade sanitária que nós, “povo”, tínhamos que aprender a conviver com o mosquito transmissor da leishmaniose. Jamais poderia ter dito tamanha bobagem. Talvez tenha ficado com receio de melindrar nossas autoridades sanitárias. Então, se não podemos acabar com o mosquito, chegamos à conclusão que devemos acabar com os cães ou com os homens.
Essa conclusão é fruto do dilema a que essa autoridade nos condenou. O cão é vítima como o homem da leishmaniose; acabem com o mosquito e com os cães comprovadamente doentes que a leishmaniose desaparecerá. Jamais matar indiscriminadamente os cachorros.
A leishmaniose visceral é uma doença que pode matar, como já matou em nossa cidade. É impressionante o descaso das nossas autoridades sanitárias com um problema tão grave. Os meus colegas médicos da Associação Paulista de Medicina deveriam se manifestar e alertar as autoridades para tamanha falta de sensibilidade ao problema.
O alarmismo é um pecado que o médico deve evitar, mas a omissão, seja por um motivo ou outro, é muito grave perante a sociedade. Será que estão esperando a leishmaniose ser diagnosticada em alguma autoridade para então procurar os culpados e criar uma Comissão de Inquérito?
Renato Barban - CRM 05974