Bairros

Ilhas de tranqüilidade

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Com 32 homicídios registrados neste ano somente até o dia 21 de julho, Bauru é considerada uma cidade por vezes violenta e perigosa por muitos habitantes. Mas, em meio aos índices de ocorrências policiais, é possível encontrar “ilhas de tranqüilidade”. Ou seja, bairros em que ainda imperam a calma, a ausência de tráfego intenso de veículos, de problemas estruturais e de segurança.

A maioria dos moradores desses locais é atraída principalmente pelo sossego, o qual geralmente não trocam por nada. São exemplos o Jardim Guadalajara, Granja Santa Cecília, Jardim Rosa Branca, Vila Coralina, Jardim Santana, Jardim Aeroporto, Vila Souto, Jardim Araruna e Jardim Eldorado, entre outros.

“Já deixei a porta do bar aberta durante duas noites e nada foi furtado. É um bairro tranqüilo”, diz o comerciante Celso Luiz Fontes, dono de um bar no Jardim Guadalajara.

O capitão Flávio Jun Kitazume, comandante da 3.ª Companhia da Polícia Militar (PM), afirma que os locais que apresentam menos problemas de segurança geralmente são aqueles afastados de ruas de tráfego intenso de veículos e de corredores comerciais. Ele cita trechos dos bairros Vila Bela, Vila Falcão, Parque Vista Alegre e Vila Dutra.

“As ‘ilhas’ nesses bairros são as que estão afastadas dos grandes corredores de veículos. As próximas a veículos e passagens de pedestres são críticas porque acabam sendo alvos de ação de marginal e ação policial”, explica.

Para o presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Oeste-Noroeste, Oswaldy Martins, é difícil detectar bairros tranqüilos. Mas ele cita a Vila Falcão, a Vila Souto e a Vila Independência como os locais menos problemáticos na região Leste.

“A periferia toda tem problemas. Sempre tem brigas e tráfico. Acontece mais confusão em bairros periféricos e carentes devido à falta de trabalho”, afirma.

Na opinião de Jaqueline Didier, presidente do Conseg Sudeste, a Vila Coralina se destaca na região pelo baixo índice de ocorrências. “É um bairro mais antigo, onde as pessoas são mais velhas e residem lá por mais tempo. É um oásis de tranqüilidade dentro da região”, afirma.

Além disso, ela cita condomínios como Parque das Camélias, Parque Flamboyants e Jardim Colonial, que são fechados e contam com sistema próprio de segurança.

Na área Centro-Sul, o destaque vai para o Jardim Aeroporto, localizado entre as avenidas Getúlio Vargas e Nossa Senhora de Fátima. A informação é de Primo Mangialardo, vice-presidente do Conseg da região.

“Ali é uma tranqüilidade. Talvez por não ter área comercial e porque a maioria dos moradores está lá há muito tempo. Todos se conhecem e quando há qualquer anormalidade eles chamam a polícia. São muito unidos”, enfatiza.

Mangialardo cita também parte da Vila Cardia, localizada entre a rua Marcondes Salgado e a avenida Rodrigues Alves.

“Não temos muitas reclamações. É uma região distinta do Jardim Aeroporto, mas parecida. O pessoal mora lá há muito tempo e aciona a polícia quando há qualquer diferença no comportamento das pessoas”, reforça.

Na opinião dele, o que torna o local tranqüilo é o envolvimento da comunidade com os assuntos referentes ao bairro. “É participar e se envolver com as coisas. Por exemplo, se os moradores descobrem que uma casa de massagem serve de fachada para uma casa de prostituição eles podem anotar as placas dos veículos e acionar a polícia”, diz.

Já Carlos Gregório, presidente do Conseg Leste, acredita que a violência é generalizada. “É difícil ver um bairro sossegado na nossa região. A violência está estampada em todos os locais”, desabafa.

Ele acredita que boa parte dos problemas deve-se às cinco unidades carcerárias existentes no município. “Bauru já se torna violenta por esse motivo. Tem muito preso de fora com seus familiares”, argumenta.

Apesar das críticas, Gregório cita o Jardim Santana, o Jardim Araruna, o Jardim Eldorado e a Vila Santa Luzia como áreas com poucos problemas. “São aquelas que não têm muita criminalidade”, explica.

“O Jardim Santana é tranqüilo porque não tem muita área comercial. Não tem como aglomerar pessoas. O Araruna tem ruas bastante carentes de comércio e o Eldorado também. São bairros residenciais. A violência está onde há muitos bares e comércio”, acrescenta o presidente.

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