Bairros

Poucos acessos isolam Guadalajara

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

Embora esteja localizado entre as avenidas Rodrigues Alves, Nuno de Assis e a rodovia Marechal Rondon, bem próximo ao Centro da cidade, o Jardim Guadalajara é um exemplo de calmaria em Bauru. E boa parte dessa tranqüilidade certamente deve-se aos dois discretos acessos que o bairro tem - um pela rua Marcondes Salgado, outro pela avenida Rodrigues Alves.

Só entra no bairro quem tem como destino final o próprio Jardim Guadalajara. Ele não dá acesso a nenhum outro bairro da cidade. Por isso, as ruas tem pouco tráfego de veículos. Quase não se vê pessoas andando pelas ruas, mesmo durante o dia.

Exceto pela existência de um bar, o bairro é estritamente residencial. Não há padaria nem supermercado no local e, para consumir esses serviços, o morador é obrigado a andar um pouco mais. Ainda assim, a tranqüilidade do Jardim Guadalajara fala mais alto e cativa grande parte dos moradores, que gostam de viver lá.

É o caso de Antônio Cestari, que mora no local há 32 anos e não pretende se mudar. O único incômodo, segundo ele, são os cachorros da vizinhança. “É um bairro bom para morar. É tranqüilo, não tem banditismo, não tem violência, nem problemas de infra-estrutura”, diz.

Madalena Justina Ferreira Costa, moradora há quatro anos, conta que nunca teve problemas de roubo. “A única coisa que eu não gosto é que o supermercado e a padaria são distantes”, destaca.

O único problema que é unanimidade em incômodo aos moradores do Jardim Guadalajara é o mau cheiro proveniente do córrego que passa às margens da rodovia Marechal Rondon e desemboca no rio Bauru.

“O bairro é bem tranqüilo, mas um pouco esquecido pela prefeitura, que não resolve o problema do córrego”, expõe o morador José Marcelino.

A última ocorrência policial da qual ele teve conhecimento aconteceu há oito anos, quando a casa da filha foi furtada. “De vez em quando, surge um fato novo, mas é bem difícil”, afirma.

Quanto à infra-estrutura, não há muitos problemas, na opinião de Marcelino. O morador cita apenas que, quando chove, a água carrega terra de terrenos acima do bairro para as ruas do Jardim Guadalajara, que ficam sujas.

Devido à localização, Marcelino pensa em mudar para outro bairro, como Jardim Brasil ou Jardim Panorama. “Aqui, praticamente ficamos ilhados. O supermercado é longe, a padaria não é tão perto. Só tem um bar no bairro. Para tudo dependemos de carro”, frisa.

A localização também faz André Okano Souza pensar em mudar do bairro, embora more no local há 22 anos - desde que nasceu.

“Aqui é bem sossegado. Quase não temos problemas de assalto. O portão é baixinho e muitas vezes a janela fica aberta. Mas nós viajamos muito e nos interessa morar perto da estrada. Por isso, eu mudaria para a região do Jardim América ou Jardim Europa”, expõe.

Já Sueli Bredariol, que vive há 30 anos no Jardim Guadalajara, não mudaria para outro bairro. “Estou bem aqui. O bairro é tranqüilo, não tem assalto, não tem nada”, justifica.

Celso Luiz Fontes, dono do único bar do bairro, diz que não tem nada a reclamar do Jardim Guadalajara. “Já deixei a porta do bar aberta durante duas noites e nada foi furtado. É um bairro tranqüilo”, reforça.

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Córrego

Moradores e trabalhadores do Jardim Guadalajara são unânimes na reclamação contra o mau cheiro provocado pelo córrego (sem nome) que passa na entrada do bairro, às margens da rodovia Marechal Rondon.

“É como um esgoto a céu aberto. O mau cheiro daqui é terrível. No verão, isso atrai muitos pernilongos. Precisamos de uma providência”, diz o morador José Marcelino.

“Esse rio é muito fedido”, completa Madalena Justina Ferreira Costa, outra que sente-se incomodada.

André Okano Souza diz que vários candidatos a prefeito prometeram solucionar o problema. “Sempre falam que vão resolver. E nada. O mau cheiro é muito forte”, salienta.

Sueli Bredariol concorda. “A única coisa que a gente não gosta no bairro é esse rio horroroso. Todos os políticos que passam por Bauru vivem prometendo uma providência e acabam não fazendo nada”, diz.

O dono de bar Celso Luiz Fontes afirma que o cheiro piora no período noturno. Já Antônio Cestari, que mora na parte mais alta do bairro, diz que sua casa não é tão atingida pelo odor quanto as casas da parte baixa.

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Rosa Branca

Outro local que agrada seus moradores pela calmaria é o Jardim Rosa Branca, embora esteja localizado entre bairros movimentados - Parque Jaraguá, Parque Santa Edwirges e Jardim Prudência.

Claudinéia Lázari é moradora há 17 anos e gosta do local. “É tranqüilo em todos os sentidos. Tem um pouco de furtos, mas isso toda vila tem. E não é muito freqüente. Não tem brigas entre vizinhos também”, argumenta.

A única reclamação dela é o mato alto em um terreno público que fica em frente à sua casa, às margens do córrego da Grama. “As pessoas jogam lixo no mato, que acaba se tornando também um problema de segurança. Os ladrões entram no mato, passam para o outro bairro e não conseguem mais ser localizados pela polícia”, diz.

Fabiana de Aguiar destaca que quase não há tráfego de carros nas ruas do bairro. “Aqui é tranqüilo até demais. Não passam carros porque a maioria das ruas não tem saída. Não tem movimento nenhum. Quando vemos algum carro na rua, até estranhamos”, conta.

Fabiana conta que nunca teve problemas de furtos ou roubos em casa, mas também reclama do mato alto às margens do córrego.

Pedro César Caversan é outro morador que mostra-se satisfeito com o Jardim Rosa Branca. “Eu acho que é tranqüilo. Ultimamente, não temos tido nenhum problema. Quando eu mudei para cá, há quatro ou cinco anos, havia furtos quando as pessoas saíam das casas. Nunca assaltos. Mas, ultimamente, nem esses furtos temos tido mais”, diz.

O problema de Caversan é um terreno baldio da prefeitura que fica ao lado de sua casa e recebe muito lixo e entulho da vizinhança. “É por própria falta de educação dos moradores locais”, afirma.

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