Na maior parte das vezes, locais considerados agradáveis para morar pela ausência de problemas de segurança e de infra-estrutura têm perfis semelhantes. De acordo com a Polícia Militar (PM), lugares afastados do comércio e de vias com tráfego intenso de veículos e pedestres geralmente têm baixos índices de ocorrências policiais.
“As ‘ilhas’ nesses bairros são as que estão afastadas dos grandes corredores de veículos. As ruas próximas a passagem de pedestres são críticas porque acabam sendo alvo de ações de marginais. Tudo isso tira um pouco a tranqüilidade”, expõe o capitão Flávio Jun Kitazume, comandante da 3.ª Companhia da PM.
“Em contrapartida, as mais afastadas tendem a ser mais calmas. Têm menos movimento e oferecem maior sensação de tranqüilidade”, acrescenta o capitão.
Ele explica que os infratores nem sempre atuam nos bairros em que moram. Eles vêem algo que chama a atenção nos locais por onde passam e acabam praticando crimes.
“Por exemplo, a região do Hospital Manoel de Abreu era tranqüilíssima e de repente apareceu um grupo de marginais atuando. São pessoas que passam por lá, vão estudando o terreno e percebem a oportunidade de praticar delitos”, afirma Kitazume.
O comandante cita como exemplo de tranqüilidade a Vila Dutra, a Vila Bela, a parte baixa do Jardim Bela Vista e parte do Parque Vista Alegre, nas proximidades da escola estadual Cônego Aníbal Di Frância.
“Dentro de cada região existem as ‘ilhas’ consideradas mais tranqüilas. São lugares em que a polícia é acionada com freqüência menor. Não é que não acontece nada por lá, é que a freqüência é menor”, frisa.
Kitazume destaca que a própria comunidade pode colaborar para que seu bairro seja mais seguro. Basta acionar a polícia sempre que perceber atitudes consideradas suspeitas. “Denunciando, a comunidade pode fazer sua auto-defesa e dificultar o aparecimento de problemas”, afirma.
De acordo com o capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Companhia da PM, bairros geograficamente afastados também são mais tranqüilos.
“Como ficam afastados, o trânsito de pessoas é restrito aos moradores. Acabam praticamente tornando-se condomínios não-murados. O Octávio Rasi, por exemplo, é totalmente isolado. Só moradores transitam. Se houver alguma intranqüilidade, basta o morador se reunir com os demais e acionar a PM”, diz.
Meira cita também locais com predominância de moradores idosos. “São bairros calmos porque não existe rotatividade de pessoas. Os moradores são os mesmos e todos conhecem a rotina de todos. Qualquer anormalidade é denunciada à polícia”, afirma.
Além disso, o comandante da 1.ª Companhia destaca os condomínios fechados. “São lugares excepcionalmente tranqüilos porque são providos de seguranças. Mas isso não está ao alcance da maioria da população. Daí a necessidade das pessoas se organizarem para cobrar postura mais eficaz das autoridades públicas quanto a asfalto e iluminação pública, por exemplo, que são condições mínimas”, sugere.
O capitão Kitazume lembra, ainda, o sossego das travessas particulares. “Na maioria delas, não acontece nada em boa parte do tempo. A vizinhança naturalmente ajuda a tomar conta das casas”, explica.
Centro
Dados fornecidos pela PM indicam bairros que apresentaram poucas ocorrências registradas no último ano (de julho de 2003 a julho deste ano).
Por exemplo, Jardim Santana e Jardim Colonial tiveram apenas um furto nesse período; Jardim Rosa Branca e Vila Bela tiveram três e Vila Souto teve dois (veja quadro nesta página). Enquanto isso, o Centro apresentou 609 ocorrências de furto registradas pela PM.
Quanto aos roubos no último ano, bairros como Jardim Aeroporto, Jardim Araruna, Granja Santa Cecília e Vila Bela tiveram apenas um caso registrado. O Centro apresentou 176 roubos no mesmo período.
Na opinião do capitão Meira, os índices são mais expressivos no Centro porque ele tem características diferentes dos demais bairros. Trata-se de uma área comercial, onde poucas pessoas residem.
“As estatísticas refletem muito a região central porque o Centro é um local por onde passa a maioria das pessoas residentes em Bauru. Forçosamente, as pessoas vão ao Centro. O tráfego grande de pessoas propicia a ocorrência de determinados crimes, como furto e roubo”, explica.
Ele acrescenta que a maior parte dos furtos não são qualificados. “Não são mediante arrombamento no período noturno. São furtos de pequenos objetos, quando os estabelecimentos estão abertos. Já nos roubos, as maiores vítimas são aposentados em dia de pagamento”, afirma Meira.
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Estrutura
Se falta de segurança é um tormento para as comunidades de determinados bairros, falta de infra-estrutura pode ser uma dor de cabeça de intensidade equivalente.
Na opinião do secretário municipal de Planejamento, Silvio Bianconcini, poucos locais na cidade não representam problemas aos moradores, no quesito infra-estrutura.
Questionado sobre o assunto, o secretário informou que os loteamentos fechados são os únicos bairros que apresentam menos problemas tanto para a população quanto para o poder público municipal.
“Eles são mais recentes e têm legislação mais rigorosa para loteamentos. Nesses casos, a preocupação com meio-ambiente e segurança é uma preocupação também do loteador”, argumenta.
Bianconcini cita o Villágio, Tívoli 1, Tívoli 2, Jardim das Paineiras, Samambaia, Jardim Colonial e Quinta Ranieri. “Os loteadores têm interesse de que tudo corra bem dentro de suas áreas. De modo geral, todos os bairros sempre têm algum problema de infra-estrutura”, diz.
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Mercado
A tranqüilidade de um bairro é um fator positivo para o mercado imobiliário. De acordo com Vânia Porto, que trabalha no ramo, imóveis em locais com tais características são mais procurados e valorizados.
“Hoje, as pessoas procuram bairros mais tranqüilos, sem grande movimentação de veículos para que possam deixar as crianças na rua com mais segurança”, expõe.
Ela explica que bairros comerciais, por exemplo, que têm movimento intenso de veículos e pedestres, não são muito procurados para residências. “São valorizados para o comércio e não para a residência. Mas um bairro calmo valoriza o imóvel residencial. Independentemente do bairro”, afirma.
Vânia acredita que, apesar da vida agitada, boa parte das pessoas ainda prefere um bairro sossegado para morar, onde possam conversar com vizinhos na calçada, por exemplo.
“É uma preocupação geral. Todos nós gostaríamos que fosse como antigamente e poder passear no fim da tarde com os filhos sem um tráfego intenso de veículos. Em alguns locais, ainda se vê as pessoas sentadas na calçada, jogando conversa fora”, observa.
Entretanto, Vânia acredita que as maiores exceções à violência da cidade de Bauru são os condomínios fechados. “Sobre segurança, não podemos falar de um bairro específico. Bauru é uma coisa só, tirando os condomínios fechados”, acredita.