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Cai para 12% matrícula no ensino médio da rede privada

Diego Molina (com Agência Folha)
| Tempo de leitura: 4 min

De 1980 a 2003, a participação da rede de escolas privadas no ensino médio caiu de 46,5% para apenas 12,4% do total de estudantes matriculados, segundo dados do Censo Escolar divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação (MEC). O número de estudantes que freqüentam escolas particulares era de 1,3 milhão em 1980 e caiu para 1,1 milhão no ano passado.

O que ocorreu, porém, foi uma enorme expansão da rede pública, que responde atualmente por 87% das vagas para o ensino médio. Em 1980, as escolas públicas atendiam a 1,5 milhão de alunos e, em 2003, este número chegou a 7,9 milhões – aumento de 426%. Ao todo, o Censo Escolar revela que estão matriculados no ensino médio mais de 9 milhões de alunos.

Além da crise econômica e da redução do poder aquisitivo da população, os dados refletem também o avanço no número de alunos matriculados até o ensino médio, como parte dos programas de inclusão escolar dos governos federal e estadual. O presidente do Inep, Eliezer Pacheco, confirma que a redução na participação da rede privada no total de alunos matriculados no ensino médio foi provocada pela expansão da rede pública – e não por uma diminuição na procura por escolas particulares.

“Essa expansão da rede pública, além de ser positiva em si pela ampliação de vagas destinadas à população, é positiva também no sentido de qualificar a rede privada, obrigando essas escolas a melhorar sua qualidade sob pena de perder seus alunos”, afirma Pacheco.

Se por um lado, a participação da rede privada diminuiu e o próprio número de alunos do setor caiu quase 14% em pouco mais de 20 anos, por outro lado o número de escolas privadas de ensino médio aumentou 73%, contra um aumento de 325% do setor público. Só no Estado de São Paulo, o incremento da rede privada de ensino médio foi de 145%.

O professor Gerson Trevisani, diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), reitera que o número de alunos matriculados nas escolas particulares não apresentou grande redução desde 1980, apesar de também não haver crescimento.

“A crise financeira pela qual a classe média passou manteve o número constante. Na verdade, a classe média diminuiu e empobreceu no Brasil, e quem pode pagar uma escola particular é a classe média”, observa.

Ele ressalta que o número de escolas particulares praticamente dobrou em Bauru nos últimos anos, chegando a mais de 60 atualmente. O contingente de alunos permaneceu praticamente constante. “A escola particular perdeu alunos para outros estabelecimentos particulares”, analisa Trevisani.

Para o presidente do Inep, ainda existe espaço para mais expansão. “Hoje, apenas 33% dos jovens de 15 a 17 anos estão matriculados no ensino médio. O restante ou está fora da escola ou está atrasado. Ou seja, tanto a rede pública ainda será fortemente demandada como a rede privada também deve ter ampliação”, diz Pacheco.

Sem arrependimento

O engenheiro civil Gilberto Zanardi decidiu tirar seus dois filhos adolescentes de uma escola privada da cidade no início do ano. Ele conta que a decisão foi tomada por conta da alta nas mensalidades de quase 100%. “Conversamos muito em casa com os meninos e vimos que não teríamos condições de mantê-los na escola que estavam. Além do aumento nas mensalidades, eles ainda perderam a bolsa que tinham”, relata.

Atualmente, os filhos de Zanardi, Paulo Henrique, 15 anos, e Gilberto, 14 anos, estão matriculados em uma escola municipal do Centro da cidade, e o engenheiro se diz contente com a mudança. “Eles se adaptaram muito bem à nova escola. Os professores são todos concursados e muito bons, o ensino é bem puxado e a diretora é exigente. Além disso, o que eu considero o mais importante, eles têm segurança na escola. Eu até me arrependo de não tê-los mudado antes”, garante.

Também por conta das altas mensalidades, a dona de casa Cecília Magalhães se viu obrigada a tirar a filha Fernanda, 16 anos, da escola onde a adolescente havia estudado desde pequena. “Optamos por outra escola particular, mas com mensalidades menores e com possibilidade de uma bolsa. Fomos visitar a escola, conhecemos os coordenadores e a Fernanda gostou”, relembra.

Segundo Cecília, a família chegou a considerar a mudança para uma escola estadual, mas o material de qualidade da nova escola e a mensalidade dentro do orçamento permitiram que Fernanda continuasse na rede privada. “Nós decidimos fazer o sacrifício e continuar pagando a escola porque as apostilas eram muito boas e ela precisa começar a estudar firme para o vestibular. A escola também oferece orientação vocacional, então tudo isso pesou na decisão”, aponta.

Por outro lado, a secretária Marcela Cristiane Neubrns, 21 anos, decidiu sair de uma unidade da rede pública e procurou uma escola particular para concluir o ensino médio. Ela explica que tomou a decisão pois procurava um ensino mais forte e que lhe preparasse para o vestibular. “Eu estudei até o segundo ano em escola pública, mas decidi mudar porque o ensino era fraco, não dava para aprimorar minha formação para acompanhar um cursinho depois”, diz.

Mesmo tendo de pagar as mensalidades, Marcela comenta que a mudança valeu a pena. “Pesou no bolso, mas o ensino é mais forte, era o que eu estava procurando, os professores eram mais bem preparados para passar o conteúdo”, conclui.

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