Mesmo com preços mais baixos e maior diversidade de opções, as lojas virtuais somente conseguiram operar com maior margem de lucratividade com o aumento das vendas de produtos de valor mais alto, como os eletroeletrônicos, nos últimos dois anos. O diretor geral da e-bit, Pedro Guasti, aponta que a virada se deu a partir de 2002, com a popularização dos aparelhos de DVD. “A coqueluche de 2002 foi o DVD, que aumentou o tíquete médio das compras, já que o aparelho tem custo médio de R$ 500,00. Só os CDs, DVDs e livros, produtos mais vendidos mas de custo mais baixo, não faziam as lojas operarem no azul”, comenta.
No ano passado, os consumidores descobriram outra febre: as câmeras fotográficas digitais, que alcançaram 5% das vendas totais das lojas, de acordo com a e-bit. Guasti indica que, assim como no varejo, os celulares também tiveram alta procura nas lojas virtuais. Em nova pesquisa ainda não finalizada, a e-bit revela que o número de passagens aéreas compradas pela Internet já ultrapassa 50% das vendas, em pelo menos uma das companhias brasileiras.
O balanço do primeiro semestre deste ano indica que o setor de e-commerce está crescendo e conquistando novos clientes. Cerca de 11% dos e-consumidores efetuaram uma compra pela primeira vez. O índice de satisfação dos consumidores foi de 87%, e 88% das pessoas consultadas voltariam a comprar na mesma loja onde já efetuaram alguma compra.
No entanto, Guasti ressalta que ainda há questões que necessitam de melhorias no comércio virtual. Ele aponta que as lojas e produtores precisam aperfeiçoar os sistemas de trocas das mercadorias, em caso de defeitos ou insatisfação do cliente. “E sempre há a questão da segurança. O problema hoje nem é com clonagem de cartão ou falta de segurança no sistema das lojas. É com os roubos físicos, pessoas que roubam cartões e tentam gastar na Internet. Para isso, as empresas têm de se precaver cada vez mais”, finaliza.
Perfil do consumidor
A maioria das pessoas que compram pela Internet são homens com curso superior completo e com alto poder aquisitivo. O perfil, elaborado pela e-bit, leva em consideração 610 mil pesquisas recebidas de e-consumidores desde janeiro de 2000. De acordo com a empresa de pesquisa e marketing on-line, 35% dos clientes em lojas virtuais têm renda familiar entre R$ 3 mil e R$ 8 mil. A parcela de consumidores com renda entre R$ 1.000,00 e R$ 3 mil também é representativa, com cerca de 32% do mercado.
Em média, 60% das pessoas que têm hábito de comprar pela Internet são homens, contra 40% do sexo feminino. A pesquisa aponta ainda que a parcela compreendida entre 25 e 49 anos é maioria entre os consumidores das lojas virtuais, com 71% do total. Segundo o estudo, 14% têm entre 18 e 24 anos e 10% tem de 50 a 64 anos; apenas 1% deles têm menos de 18 anos.
A pesquisa aponta ainda que 55% dos compradores têm pelo menos nível superior completo, sendo que 20% possuem também pós-graduação. Do total, 24% têm nível superior incompleto e apenas 14% completaram até o ensino médio.