Depois de uma redução no número de mortes no trânsito em Bauru, de 33 vítimas em 2002 para 18 em 2003, as estatísticas apontam novo aumento de óbitos. No primeiro semestre deste ano, 15 pessoas perderam a vida no trânsito, contra sete no mesmo período do ano passado, um aumento de 114%.
Nos primeiros seis meses do ano foram registrados mais de 3 mil acidentes no trânsito na cidade e quase 40% deles geraram vítimas, segundo estatísticas da Polícia Militar (PM). “Quando as causas desses acidentes são investigadas, percebe-se que 99% deles são falha humana”, salienta o sargento Aparecido Bento, do pelotão de trânsito da PM em Bauru. Para tentar reduzir o índice de acidentes e salvar vidas, respeito às leis de trânsito é fundamental. “Se o cidadão respeitar a sinalização e as regras de trânsito, os acidentes diminuem. Isso é automático. Mas não só isso, é preciso ter respeito ao próximo, cortesia com os outros condutores”, diz o sargento.
A desobediência à placa “Pare” e ao semáforo figuram na lista de causas de acidentes como vilões do trânsito. Somados, esses atos respondem por quase metade das causas dos acidentes em Bauru.
Um fator raramente considerado para explicar o número alto de acidentes é, segundo o sargento, o aumento da frota de veículos na cidade. “Atualmente, a média dos veículos registrados gira em torno de 140 mil. No ano passado tínhamos 128 mil. Com mais carros e mais motos circulando, a chance de ocorrer um acidente aumenta”, diz.
De acordo com dados de Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), no ano de 2002, foram mais de 18.877 acidentes com vítimas fatais no Brasil, 5.097 deles no Estado de São Paulo. No mesmo período, o trânsito de Bauru contribuiu com esse montante em 28 acidentes, de acordo com a PM.
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Punição
O capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1ª Companhia de Polícia Militar (PM), assegura a eficiência de iniciativas como a Semana de Trânsito, mas afirma que a punição dos motoristas que desrespeitam as leis ajuda a educar. “Existe a educação preventiva e a educação punitiva”, explica. “Também é possível obter a correção de atitudes multando”, diz.
Por isso, ele defende a instalação de radares para fiscalização da velocidade. “Na minha opinião, Bauru deveria ter 50 pontos de radares. Eu defendo a idéia de que a alta velocidade é um fator muito importante quando se fala de acidente de trânsito”, diz o capitão. E continua: “Esse seria um mecanismo para conter a velocidade, não para arrecadar dinheiro com multa. A polícia instalaria 50 radares, mas só 10% deles funcionando.”
Para o capitão, a polícia é responsável por fiscalizar o trânsito, mas também ajuda na educação. “Nós temos feito em Bauru palestras em escolas para preparar os futuros condutores, mas também é preciso reeducar. Ninguém começou a usar cinto de segurança de uma hora para a outra”, compara.