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Saúde precisa de milagre


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Avolumam-se na maioria das cidades protestos contra os serviços públicos de assistência à saúde das populações, nos quais faltam médicos e atendentes em número correspondente ao dos doentes que os procuram e remédios na quantidade normal para o atendimento dos necessitados. A todo instante, os leitores e telespectadores têm o desprazer de se inteirarem da enorme extensão do problema através do noticiário e das imagens televisivas mostrando filas e agrupamentos gigantescos de enfermos na frente e no interior dos ambulatórios e postos que os governos federal, estadual e municipal instalam, mas falham quanto às exigências de seu pleno funcionamento, tendo, então, como reflexo não só as reclamações coletivas, mas, fundamentalmente, a certeza da existência de um País enfermiço, no qual a tão importante saúde pública é relegada a plano secundário, não seguindo, paralelamente, os exemplos de tantas nações que cuidam com zelosa responsabilidade do setor.

Eles adotam a amorosa filosofia criada e transmitida pelo milagroso São Camilo de Lellis, que ocupou lugar de extraordinário destaque na assistência a doentes de sua época, quer fundando e sustentando hospitais como atendendo sua clientela com ciência, técnica, amor e fé, fazendo doação pessoal e material a todos, sobretudo ao doente mais pobre, abandonado ou acometido de moléstias contagiosas, gesto que sacudiu a consciência dos contemporâneos e figura como estímulo aos devotos Camilianos brasileiros, que inspirados na sua obra, fundaram aqui vários hospitais e sanatórios ou dão assistência espiritual, com presença diária de um capelão, no Hospital das Clínicas, do Servidor Público Estadual e da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e, igualmente, nos mantidos pela Fundação Hospitalar de Brasília, no Hospital da Marinha e no Conjunto Sanatorial do Ministério de Saúde, no Rio de Janeiro.

Mas, não ficam nisso os esplêndidos exemplos dos Camilianos, os quais mantêm obras próprias como, além de outros, o Hospital São Camilo em São Paulo, Clínica Infantil do Ipiranga, Instituto Jaçanã de Psiquiatria e, da mesma forma, o Hospital-Escola São Camilo e São Luiz de Macapá. Constata-se, então, que não faltam aos poderes governamentais demonstrações frisantes de como manterem integral assistência médico-hospitalar às populações mais carentes, dando-lhes cobertura de pessoal e medicamento especializado, para que ninguém fique sem defesa de vida.

Em 1569 disseram de São Camilo que ele seria “o maior e mais belo modelo de enfermeiro e um verdadeiro inovador no campo da assistência hospitalar em todos os tempos. E, agora, no Brasil, quando se notam carências realmente destruidoras no setor, sonha-se poder dizer o mesmo dos mentores da saúde pública brasileira. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos velhos Jornalistas do Estado, e o jornalista responsável do JC.

"O amor é mais generoso que a vitória porque não se alimenta da derrota, nem está condicionado à dependência dos contrastes”.

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