Bairros

Asfalto 'gratuito' terá de ser pago

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

Em dezembro de 2002, a Prefeitura Municipal de Bauru anunciou que, a partir de abril de 2003, pavimentaria 68 ruas de terra de 18 bairros da cidade. Passados 15 meses, apenas 7% dessas vias estão asfaltadas. De acordo com a Secretaria de Obras, esse programa de asfaltamento, que seria feito pelo órgão municipal, foi substituído pelo plano de asfalto comunitário, que será pago pelos moradores.

“Todos os bairros (anunciados em 2002 pela prefeitura como incluídos no projeto de pavimentação) estão inseridos no plano comunitário”, afirma o atual dirigente da pasta, José Ângelo Padovan. O plano de asfalto comunitário só é executado nas ruas em que pelo menos 75% dos donos dos imóveis aceitarem pagar pelo asfalto. Os outros 25% podem ser custeados pela prefeitura, que na ocasião da assinatura do contrato com as empresas informou dispor de R$ 5,1 milhões para a obra.

O processo de licitação das obras de asfaltamento anunciado pela prefeitura no final de 2002, foi revogado em abril do ano passado, segundo documentos administrativos. O fato inviabilizou o programa de pavimentação nos bairros.

Em outubro do ano passado, a prefeitura anunciou o plano de asfalto comunitário, cujo contrato foi assinado há dois meses com as empreiteiras vencedoras da licitação - H. Aidar Pavimentação e Obras Ltda., Fortpav Pavimentação e Serviços Ltda. e Jaupavi Terraplanagem e Pavimentação Ltda. As empresas já iniciaram contato com os moradores, mas as obras de pavimentação ainda não deslancharam.

Durante dois dias da semana passada, a equipe do Jornal da Cidade percorreu 68 vias de terra de Bauru que constavam no programa de pavimentação anunciado pela prefeitura no final de 2002 e constatou que das 184 quadras incluídas no cronograma, apenas 13 estão asfaltadas.

A situação de grande parte dessas ruas é semelhante: buracos, erosões, e em alguns casos, acúmulo de entulhos e detritos, fatores que acabam prejudicando a movimentação dos moradores. A precariedade das vias pode ainda dificultar o trânsito de veículos e atrapalhar os serviços de saúde e policiamento nos bairros.

Esses problemas afetam a rotina do vendedor Jonas Edivaldo Izidório. Ele mora há três anos na quadra 2 da rua Aldo Marcelino, no Jardim Andorfato, um dos pontos incluídos no programa de pavimentação, mas que até agora continua sem asfalto. “Aqui não se pode entrar uma ambulância. Às vezes, o caminhão de lixo também não pode passar, até a polícia tem dificuldade para entrar”, reclama. Segundo ele, a rua está no trajeto do ônibus, mas devido as dificuldades, o circular está transitando em outra rua paralela.

Além de 14 quarteirões do Jardim Andorfato, faziam parte do cronograma de obras anunciado pela prefeitura: oito quadras do Parque Santa Cândida, 30 do Parque Viaduto, cinco do Bosque da Saúde, sete do Jardim Marilu, oito do Jardim Eldorado, 25 do Santa Edwirges, duas do Alto Alegre, sete do Parque City, quatro do Jardim Chapadão, três do Parque Paulista, 12 do Parque Júlio Nóbrega, quatro do Parque Bauru, uma do Jardim Contorno, cinco da Vila Zillo, oito do Jardim Solange e 41 da Pousada da Esperança 1 e 2.

Obras isoladas

Durante a visita aos bairros, a reportagem constatou que em dois pontos da cidade - Pousada da Esperança e Parque Viaduto - existem obras para implantação de galerias e boca-de-lobo, infra-estrutura necessária para pavimentação asfáltica. No primeiro bairro, funcionários de uma empreiteira trabalham na preparação de galerias nas quadras 8 a 10 da rua Sargento Carlos José Tomas. De acordo com uma das moradoras, as equipes estão há cinco meses no local.

Já nos quarteirões 11 e 12 da rua Mário Gonzaga Junqueira, no Parque Viaduto, bocas-de-lobo já foram instaladas - já as quadras 14 a 25 continuam sem pavimentação.

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Chuvas

As ruas de terra se tornam ainda mais precárias em épocas de chuvas causando transtorno aos moradores. Esse é o caso da dona de casa Lilian Batista da Silva, que mora há dois anos na rua Luiz Berro, no Jardim Chapadão. “Em tempo de chuvas, a rua vira lama e não dá para andar”, diz. “A poeira atrapalha as crianças que têm bronquite”, acrescenta.

O aposentado Mário Antônio da Silva, que vive em uma casa da rua Sargento Carlos José Tomas, na Pousada da Esperança, concorda com Lilian. “A poeira prejudica muito. Tenho um filho que tem problemas de respiração e muitas vezes preciso correr com ele para o médico”, ressalta.

Enquanto aguardam pelo asfaltamento das vias, alguns moradores usam soluções caseiras para driblar os problemas das vias de terra. Na rua Marcos Antônio Piccirilli, no Parque Bauru, por exemplo, os buracos são tampados pelas próprias pessoas. “A política é tão enrolada... Nessa quadra, quem conserta a rua somos nós mesmos”, afirma a dona de casa Helena de Almeida Nascimento.

O segurança Natalino Davi da Silva, morador da rua Joaquim Gonçalves Soriano, na Pousada da Esperança, cobra a pavimentação do poder público municipal. “Esse asfalto já era para ter executado, mas com essa administração está difícil”, reclama ele, que já foi presidente da associação dos moradores do bairro. “Por isso temos que insistir e persistir (para que as vias sejam asfaltadas), até que alguém se sensibilize”, destaca.

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