Economia & Negócios

Servidores da Unesp mantêm greve

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Funcionários e professores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru decidiram ontem à tarde, durante assembléia, rejeitar proposta de reajuste salarial de 4,18% feita na véspera pelo Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp), optando por manter a greve que completa hoje 68 dias. No caminho inverso, os servidores da Universidade de São Paulo (USP) no município, parados há 42 dias, deliberaram pela volta ao trabalho.

A oferta do Cruesp prevê reajuste salarial de 2% retroativo a maio e o restante a partir de agosto. Além disso, os reitores se comprometem a analisar a possibilidade de um novo aumento, de 1,6%, em janeiro. Em todas as rodadas de negociação feitas anteriormente, o conselho havia oferecido 0% aos grevistas.

O diretor da Associação dos Docentes e Servidores da Unesp (Adunesp), Gilberto Magalhães, afirma que os servidores da universidade em Bauru optaram por continuar reivindicando o índice de reajuste de 9,41%.

Segundo ele, hoje pela manhã será feita uma avaliação das assembléias realizadas em outros câmpus da Unesp. Já é certo, porém, que não haverá consenso. Em Botucatu, por exemplo, os funcionários também decidiram manter a greve, mas os professores foram contra.

Um novo encontro entre o Cruesp e o Fórum das Seis - entidade que congrega os sindicatos de funcionários da USP, Unesp e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - está agendado para hoje, às 17h.

Embora o movimento grevista já se estenda por mais de dois meses, Magalhães garante que os alunos da instituição não serão prejudicados. “Prejuízos em termos acadêmicos são preocupantes para todo mundo, mas esse é um problema que pode ser equacionado com a garantia da reposição do conteúdo”, comenta.

Matéria veiculada pelo JC há dez dias mostra, porém, que muitos alunos já estão temerosos em relação ao cronograma de aulas. Além disso, o diretor da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru, José Brás Barreto de Oliveira, afirmou que as datas de formaturas podem ficar comprometidas caso a greve não seja encerrada nas próximas semanas.

USP

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Elaine do Amaral Godoi, afirma que os servidores da instituição em Bauru ficaram satisfeitos com a proposta de aumento salarial de 4,18%. “Por isso, entendemos que a nossa participação foi grande e que já era o momento de retornar ao trabalho”, destaca.

Segundo ela, os servidores da USP garantiram, ainda, um aumento no valor do vale-alimentação que recebem mensalmente, de R$ 45,00 para R$ 135,00.

O movimento grevista deflagrado nas três universidades estaduais paulistas defende, além do reajuste de salários, a contratação de professores em regime de dedicação integral, reposição do quadro de docentes, fim das terceirizações, contratação por concurso público e melhorias na infra-estrutura das instituições. “Nós estamos pedindo a elaboração de um cronograma para a discussão desses itens”, afirma Magalhães.

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Categorias

Além dos servidores universitários, outras categorias também estão em greve reivindicando melhorias nos salários. Os funcionários do Poder Judiciário de Bauru, por exemplo, estão parados há quase um mês e se reúnem hoje, às 14h, para discutir a continuidade ou não do movimento.

Ontem, a Associação dos Advogados de São Paulo (AASP) impetrou mandado de segurança contra o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Luiz Elias Tambara, e o governador Geraldo Alckmin (PSDB), acusando-os de se omitirem da solução da greve.

Os agentes da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru e região também estão de braços cruzados. Eles paralisaram as atividades no início do mês e cobram reajuste de 24,76%, estabilidade no emprego, segurança e outras reivindicações.

Já os agentes penitenciários da cidade voltaram ao trabalho há três semanas, mas ainda aguardam a análise de um projeto de lei encaminhado à Assembléia Legislativa para a criação do plano de carreira da categoria. Além disso, também está sendo discutido o pagamento dos dias parados. Em Bauru, os servidores terão de cinco a oito dias de trabalho descontados no sálario do próximo mês.

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