Trabalhadores da central de triagem de lixo reciclável do Jardim Redentor estão sentido na pele os reflexos da concorrência no setor. Segundo eles, a renda mensal proporcionada pela atividade caiu consideravelmente nos últimos anos.
Valmir Moura, 36 anos, trabalha na central há seis anos e afirma que já chegou a tirar cerca de R$ 600,00 ao mês com a atividade. “Agora no máximo é R$ 350,00, não passa disso”, diz.
Maria Cecília Pereira de Oliveira, 30 anos, reitera a informação da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e afirma que a quantidade de arrecadação de lixo reciclável por parte da prefeitura diminuiu de 120 toneladas ao mês para 40 toneladas.
“Infelizmente, os catadores autônomos passam antes do caminhão de coleta (da Semma). Isso nos prejudica, porque se esse material não chega até aqui. O ganho das famílias que trabalham na central diminui”, diz. “Mas por outro lado, esse também é um meio dos catadores de rua estarem sobrevivendo e ganhando o seu sustento”, pondera.
Vera Lúcia de Souza Xavier, 40 anos, afirma que muitas pessoas estão trabalhando na arrecadação de lixo reciclável e a concorrência está atingindo a todos.
“O que a gente tirava aqui na associação não atinge mais. Para tirar um salário mínimo hoje já é difícil”, diz a trabalhadora, que é mãe de dois filhos e sustenta a família com a atividade.
A central de triagem de lixo reciclável foi criada em 1996 e hoje conta com 25 trabalhadores que integram a Associação dos Catadores de Material Reciclável. A prefeitura cedeu o terreno para os associados e forneceu uma estrutura básica para que eles iniciassem o trabalho.
Atualmente, os caminhões da Semma atuam na arrecadação do lixo reciclável e o material coletado é encaminhado para a central. Lá, os associados fazem a triagem dos recicláveis, o armazenamento e a comercialização. O dinheiro arrecadado é dividido entre os membros da associação, de acordo com a produtividade de cada um.
Cooperativa
O diretor do departamento de Ação e Recursos Ambientais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Carlos Barbieri, afirma que a quantidade de catadores autônomos atuando nas ruas de Bauru cresceu consideravelmente nos últimos anos. Apesar da prefeitura ainda não possuir um levantamento, Barbieri estima que hoje existam em Bauru mais de mil famílias vivendo dessa atividade. Em relação aos depósitos de materiais recicláveis, a estimativa é de que a cidade possui cerca de 200.
Barbieri admite que mais do que uma questão de concorrência, o crescimento do número de catadores autônomos nas ruas é um problema social.
“A gente sabe que a situação de vida da população não está boa. E eles (catadores) estão tentando achar soluções para sobreviver. Então nós não podemos prejudicar essas pessoas e sim dar instrumentos para que elas possam trabalhar de forma adequada”, diz.
Segundo o diretor, pensando nisso, a prefeitura está organizando um projeto para criação de cooperativas de catadores. O objetivo é dar apoio para que a categoria se organize e encontre formas de auto-sustentação.
“O mais importante é capacitar essas pessoas para elas fazerem a coleta, o gerenciamento e a comercialização do material, para elas agregarem valor ao produto”, completa.
Barbieri afirma que até o final do ano a primeira cooperativa-piloto deve entrar em funcionamento na cidade. A área para instalação ainda será definida, entretanto Barbieri acredita que seja no Parque das Nações, Ferradura Mirim ou Jaraguá. O projeto será desenvolvido pela Semma em conjunto com a Secretaria de Planejamento (Seplan) e Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes).
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Sem mudança
Em julho do ano passado, o então presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Roberto Alves Bil Barbosa, anunciou que a empresa iria assumir a coleta seletiva de materiais recicláveis da cidade.
Entretanto, o serviço continuará sendo realizado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), segundo o diretor do Departamento de Ação em Recursos Ambientais da pasta, Carlos Barbieri.
“Hoje a coleta seletiva gasta três vezes o que ela arrecada”, diz. “O que se arrecada não paga o custo da coleta”, reforça o diretor, destacando que a Emdurb não aceitou arcar com esse ônus.
A assessoria de imprensa da Emdurb confirmou ontem que não há mais intenção do serviço ser realizado pela empresa. Entretanto não soube detalhar os motivos.
A reportagem não conseguiu localizar ontem à tarde, por telefone, o presidente da Emdurb, Antônio Carlos Duarte, para comentar o assunto.