Tribuna do Leitor

Estação Café


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As mesmas alegrias, emoções e surpresas que tive e senti, certamente centenas de bauruenses de todas as idades também tiveram e sentiram, na belíssima festa junina promovida pelo SESC-Bauru, dentro dos temas café e ferrovia. Profissionalismo, eficiência, organização, criatividade, arte e folclore, simpatia e culto à tradição, imperaram nessa festa junina que já se institucionalizou e será esperada anualmente para o alegre mês de junho.

Quem não foi perdeu e deverá aguardar a próxima. A alegria geral era contagiante naquele enorme logradouro dividido em vários ambientes temáticos com atividades diferentes e as mais surpreendentes. Porém, dentre aquele turbilhão de contagiante alegria, o fato que mais me sensibilizou foi a homenagem à Estrada de Ferro Noroeste do Brasil com a montagem de réplica de um carro restaurante e pela contínua projeção de vídeos em locais diferentes.

Esse carro restaurante com observância de muitos detalhes humano e materiais turbilhonou de lembrança minha cabeça. Sem dúvida os curiosos que adentraram ao mesmo, que se sentaram às mesas, leram o cardápio e viram o vídeo, viajaram pelo tempo.

As projeções de travessia do pantanal, das chegadas e partidas das estações da saudosa NOB, das plataformas sempre lotadas e da arrojada e imponente estação da Praça Machado de Melo, enfim, apesar de toda a alegria reinante naquele logradouro, pensamentos de tristeza e saudades dominaram minha mente. Ao saber que há muitas crianças e adolescentes que só conhecem o trem por meio de vídeos e cinema. Em um período histórico muito curto, a partir de 1906 esta estrada de ferro teve sua construção, glória e desaparecimento devido à privatização. Hoje, quem tem a oportunidade de atravessar a pé suas linhas ou de caminhar junto às mesmas, sente revolta pelo que fizeram com os nossos trens! Sim, o nascimento da indústria automobilística em nosso país seria, como o foi, um fato irreversível, assim como ocorre atualmente com a indústria aeronáutica pela EMBRAER, do mesmo modo que o nosso país desponta hoje como um dos maiores exportadores de soja do mundo.

Fizeram conforme o narrado no conto popular: para acabar com os piolhos matou-se a galinha dos ovos de ouro. Concomitantemente com a implantação da indústria automobilística, deveriam ter sido prestigiadas e modernizadas nossas ferrovias pois esse meio de transporte jamais poderia e poderá ser abandonado tendo em vista nossa extensão continental. Enquanto que os trens bala cortam a Europa e o Japão atingindo velocidades vertiginosas, fazem a travessia sob o Canal da Mancha ligando Inglaterra à França, aqui predominam dormentes, máquinas e vagões apodrecendo e prédios de belíssimas estações desmoronando, sendo saqueados, esperando-se que caiam para depois serem recuperados como acontece com a estação-orgulho do ex maior entroncamento ferroviário da América do Sul. Pobre prédio da Praça Machado de Melo! Enfim, governantes incapazes, imediatistas, pretensos patriotas desprovidos de visão assim o entenderam e fizeram. Mas neste momento o importante é apresentar meus parabéns à Diretoria e toda a equipe do SESC Bauru pelos temas café, história e trem. Estação Café foi um sucesso!

Professor Joaquim Eliseo Mendes

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