Ontem, depois de constatar que mais um poço foi atacado por ladrões - foi o quarto caso em menos de uma semana -, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) decidiu adotar um pacote de medidas para coibir novos furtos. Desta vez foram levados cerca de 40 metros de fios de cobre do poço profundo que abastece o Núcleo Octávio Rasi, que ficou sem água ontem.
O pacote de medida inclui a ampliação das rondas a poços, reservatórios de água e estações elevatórias de esgoto, a instalação de alarmes monitorados e reuniões com os Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs), com a comunidade e com as polícias Civil e Militar para discutir meios de coibir furtos e depredações, informa Sandra Faria, assessora de imprensa da autarquia. “Foi o 11.º furto deste ano nas unidades do DAE, chegando a um prejuízo acumulado de R$ 40 mil”, enfatiza.
Até agora, o DAE dispunha de uma equipe - um motorista e um eletricista - para fazer a ronda em 42 reservatórios e 28 poços à noite. Após a reunião de ontem, a autarquia decidiu colocar uma segunda equipe para percorrer os poços e reservatórios à noite, uma forma de tentar coibir os furtos e vandalismos. “São funcionários que estão munidos de lanternas potentes para identificar qualquer estranho e celular para acionar a polícia, se for o caso”, explica a assessora.
No furto de ontem, os ladrões estouraram um cadeado e o portão do poço, danificaram o relógio da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e furtaram 40 metros de fios. O prejuízo foi de R$ 5 mil. “É um problema que nos preocupa porque causa prejuízo à população, que neste caso ficou sem água, e ao DAE, que tem que substituir os fios e peças furtadas ou quebradas”, diz Sandra.
Economizando água o dia todo para garantir o banho à noite e o funcionamento do banheiro, Tereza Cristina Maria, que mora no Octávio Rasi, cobra medidas para coibir os furtos. “Acho que é preciso colocar cerca elétrica no poço. Estamos praticamente sem água. Da última vez que teve furto, ficamos três dias sem água, dependendo do caminhão-pipa. Além do transtorno, é o usuário quem acaba pagando por esses furtos porque o DAE vai acabar repassando o prejuízo”, diz.
Outra moradorada do bairro, Sueli Alves, concorda. “Sem luz a gente até fica, mas sem água não dá. Estamos preocupados com esses furtos. Aqui em casa a água só não acabou porque estamos economizando, mas na edícula que a ligação é direta da rua, as torneiras estão secas”, conta. O abastecimento, segundo a assessoria de imprensa do DAE, deve ser normalizado hoje.
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'Especialistas'
Os ladrões que têm furtado fios de cobre das instalações de poços e estações elevatórias do Departamento de Água e Esgoto (DAE) devem ter conhecimento em eletricidade. No furto ocorrido no poço do Núcleo Octávio Rasi, por exemplo, os fios foram retirados com a rede elétrica desligada, segundo a assessoria de imprensa da autarquia.
“A energia da rede seria suficiente para jogar longe uma pessoa. E mesmo assim, os fios foram cortados sem que a energia fosse desligada”, relata Sandra Faria, assessora de imprensa do DAE. Ela frisa que os poços são o principal alvo dos ladrões porque são os equipamentos do DAE que mais têm fios de cobre.
No último ataque dos ladrões, na segunda-feira, foram levados 130 metros de fios de cobre do poço do Núcleo José Regino (Bauru 25). Moradores do Jardim Tangarás, Núcleo José Regino, Bauru 22 e Parque Bauru ficaram sem água.
O DAE descarta colocar vigias nos poços e reservatórios porque a medida exigiria a contratação de pelo menos 180 funcionários para 24 horas de vigilância. Isso porque são 60 unidades entre produção, reservação de água e bombeamento de esgoto.