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Aparelho para fazer diagnóstico do câncer está parado há 3 anos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Um equipamento de última geração capaz de identificar e fazer a localização exata de microlesões de mama em que há suspeita de câncer está encostado no Instituto de Mamas de Bauru há cerca de três anos por falta de instalação.

Apesar dos diferentes argumentos usados para explicar a situação, a reportagem apurou que pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Bauru que precisam deste recurso estão sendo encaminhados para outros serviços e podem estar sofrendo atraso no diagnóstico da doença.

Trata-se da estereotaxia - um aparelho capaz de identificar as menores lesões mamárias - bem antes que elas se tornem palpáveis - e indicar a localização exata delas para a realização da biópsia e extração cirúrgica. Por meio deste exame, é possível diagnosticar o câncer logo no início, o que torna o tratamento muito mais simples e aumenta significativamente as chances de cura da doença.

Sem a estereotaxia, outro equipamento moderno do instituto que simplifica e agiliza a realização de biópsias - o mamótomo - também está sendo subutilizado. Ele permite a coleta das células suspeitas por uma agulha, com anestesia local, sem cortes ou internação (ao contrário do procedimento convencional, que requer anestesia geral, corte e pontos). Mas só pode ser aplicado quando se tem a localização exata da lesão. Em muitos casos, só a estereotaxia fornece essa precisão.

Os aparelhos utilizados no Instituto de Mamas de Bauru foram adquiridos pelo governo do Estado em meados de 2001. De acordo com o mastologista Rodolfo José Celeste, na época da montagem, inadequações na estrutura do prédio impediram a instalação imediata da estereotaxia.

Um dos problemas, segundo ele, era a falta de um balcão específico, confeccionado de material resistente, que serviria de suporte para o equipamento. De acordo com o médico, a máquina não pode sofrer nenhum tipo de oscilação, pois isso poderia alterar o resultado do exame.

O fornecedor teria determinado um prazo para que as adequações fossem providenciadas, mas esse prazo teria sido perdido. Agora, para instalar o equipamento, a empresa estaria cobrando pelo serviço.

O administrador da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), José Cardoso Neto, não informa o valor pedido pela empresa e alega que o prazo está sendo discutido juridicamente.

“Os equipamentos foram comprados em junho de 2001. Quando houve o atentado, em 11 de setembro, os Estados Unidos interromperam todas as exportações e esses equipamentos ficaram retidos por quase sete meses. Quando determinou o prazo, a empresa contou a data da venda, não a de entrega e isso nos prejudicou sobremaneira”, alega.

Custos

Segundo Cardoso Neto, no entanto, a principal razão para a não instalação da estereotaxia e a subutilização do mamótomo é a falta de condições financeiras para realizar os procedimentos. Não existem cotas orçamentárias para mantê-los.

Como ocorre em diversos outros setores, a burocracia do País não consegue acompanhar a evolução da tecnologia. O aparelho está disponível, mas não se consegue liberar a verba para utilizá-lo.

“São exames de altíssimo custo. Uma única agulha para mamotomia custa cerca de R$ 800 e você só uma vez. Nem o SUS, nem os convênios privados cobrem esses exames”, afirma.

O administrador hospitalar salienta que todo o Instituto de Mamas está subutilizado atualmente e que as melhorias fazem parte de um macroprojeto que vem sendo implantado progressivamente, de acordo com as possibilidades orçamentárias da AHB.

A intenção, a médio prazo, é transformar o Hospital Manoel de Abreu em um centro de tratamento oncológico e elevar a Maternidade Santa Isabel à condição de Hospital da Mulher. Segundo Cardoso Neto, o objetivo é oferecer atendimento integral e contínuo ao paciente de Bauru em Bauru.

“Nós estamos concluindo o ambulatório do Hospital Manoel de Abreu, que deve ser inaugurado nos próximos 40 dias. O próximo passo será investir em diagnóstico, o que deve ocorrer a partir de outubro deste ano. E não é só a estereotaxia e a mamotomia. Há mais dois ou três aparelhos que pretendemos adquirir para aprimorar o diagnóstico do câncer em Bauru”, afirma.

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