Economia & Negócios

1,7 mil novas empresas foram abertas em Bauru em 6 meses

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

O escritório regional da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) registrou no primeiro semestre deste ano a abertura de 2.410 novas empresas nas 50 cidades abrangidas pelo órgão, 35% a mais do que no mesmo período de 2003. A estimativa é que Bauru responda por 70% desse total, ou seja, cerca de 1,7 mil estabelecimentos industriais, comerciais ou de prestação de serviços foram constituídos na cidade de janeiro a junho.

Para o diretor regional da Jucesp, Cris Moreno, há dois fatores que podem explicar esse crescimento. “Muitas dessas pessoas que constituíram empresas estavam trabalhando na informalidade e sentiram a necessidade de legalizá-las. Além disso, muitos funcionários que foram dispensados não quiseram se sujeitar a continuar sendo empregados e passaram a ser empresários utilizando o dinheiro da rescisão e do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço)”, opina.

O empresário Giuliano De Angelis é um exemplo de empregado que virou empregador. Depois de 14 anos atuando no mercado de automóveis e combustíveis, há dois meses ele decidiu montar uma pequena empresa de fabricação de argamassa. “Há três ou quatro anos eu já acalentava a vontade de trabalhar para mim mesmo e decidi optar por um ramo em que eu não havia me metido ainda”, relata.

De Angelis afirma não estar arrependido por ter feito essa escolha. “A construção civil está voltando a crescer e temos visto que o governo está disposto a conceder incentivos para o setor. É um mercado muito concorrido, como todos os outros, mas posso dizer que está valendo a pena”, analisa.

A arquiteta Kátia Hashimoto também procurou o escritório da Jucesp com a intenção de constituir um negócio próprio e registrou uma loja de azulejos e acabamentos que pretende inaugurar dentro de 60 dias. “Com os novos condomínios que estão surgindo, avaliei que há um bom espaço no mercado para um estabelecimento como o que estou abrindo”, comenta.

O diretor regional da Jucesp lembra que microempresas como as de Hashimoto e De Angelis são a maioria entre as que são abertas na região. “São elas que geram receita dentro da economia e contribuem muito para amenizar a crise do desemprego”, argumenta.

Em razão desse fato, Moreno cobra uma política econômica que seja mais voltada para o setor. “O governo tem priorizado as grandes empresas, que estão mais preocupadas com o mercado externo”, opina.

Segundo Moreno, a Jucesp leva, em média, 24 horas para autorizar a constituição de uma empresa. Para tanto, os interessados devem procurar a repartição levando o requerimento padrão, três vias do contrato social (caso seja uma sociedade), as fichas de cadastro necessárias, os comprovantes de recolhimento de taxas e o documento de identidade dos sócios.

O escritório da Jucesp fica na rua Araújo Leite, 25-15. O horário de atendimento ao público é das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30, de segunda a sexta-feira. O telefone para informações é (14) 3234-5475.

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Baixas

No caminho inverso da constituição de novas empresas, o escritório regional da Jucesp registrou nos seis primeiros meses do ano o encerramento formal das atividades (baixa) de 396 estabelecimentos, 17,50% a mais do que em relação ao mesmo período de 2003.

O diretor regional da Jucesp, Cris Moreno, lembra que nem todas as empresas que fecham as portas, porém, procuram o órgão. “O empresário encerra seu negócio quando está em situação difícil e a partir do momento em que ele está com a carga tributária devedora não pode dar baixa”, justifica.

O empresário José Felício Trovarelli deixou de trabalhar com madeiras há quatro anos, mas deu baixa na Jucesp apenas no mês passado. “Eu deixei na mão de um escritório de contabilidade e achei que estava tudo em ordem, mas depois descobri que eles não tomaram nenhuma providência”, relata.

Trovarelli conta que só se deu conta da situação quando decidiu constituir a empresa de auto-peças que pretende inaugurar no próximo mês. “Por isso, oriento às pessoas que forem fechar seus estabelecimentos a ficar atentas”, destaca.

Em relação aos pedidos de falência, o diretor regional da Jucesp diz que o número tem se mantido estável em relação aos anos anteriores. A título de comparação, o órgão recebeu cerca de 140 solicitações ao longo de 2002 e outras 130 em 2003, de janeiro a dezembro.

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