O juiz Horácio Furquim Guanaes estimou ontem que cerca de 75 mil processos estão parados no Fórum de Bauru desde o início da greve dos servidores do judiciário, há 32 dias. Segundo ele, esse é o número aproximado de processos que estavam em andamento na comarca de Bauru no final de junho.
Guanaes, que ocupa temporariamente a direção do fórum, explica que o serviço da unidade está quase totalmente paralisado. Atualmente, apenas as medidas consideradas urgentes (mandados de prisão, busca e apreensão, pedidos pensão alimentícia, entre outros) estão sendo tomadas.
Considerando-se que, em média, outros 450 processos (cíveis e criminais) dariam entrada diariamente se o funcionamento estivesse normal, esse número tende a ser muito maior.
“Se a greve terminasse agora, seriam necessários 90 dias ou mais para colocar tudo em ordem - a demanda diária mais os processos parados”, afirma.
Além de acarretar um atraso na solução de problemas para o cidadão, a paralisação afeta diretamente o trabalho dos advogados, que chegam a sofrer prejuízos na venda.
“Com toda certeza a atividade do profissional de advocacia está sofrendo um abalo sério na tramitação dos processos, distribuição das ações, protocolo de petições (...) Nosso escritório tem mais de 200 processos parados. Só não sofremos um baque maior porque advogamos na área eleitoral, que funciona normalmente”, comenta o advogado Cláudio Bahia.
“Uma situação que se agrava com o passar do tempo, porque além dos processos parados, a população (clientes em potencial) sabe que tem greve e nem procura o advogado. Graças a Deus tenho processos federais em andamento, mas tenho outras dezenas parados”, acrescenta o advogado João Braulio Salles da Cruz.
Parte dos profissionais, no entanto, entende a posição dos servidores. “Eles fazem uma reivindicação justa, pois há muito não tem atendido os interesses da classe. E isso, na minha opinião, é em razão do governo não dar a valorização devida ao Poder Judiciário e aos servidores. Temos um equipamento sucateado, falta de funcionários, baixa remuneração - me parece que não há interesse daqueles que governam em ter um judiciário forte”, destaca Bahia.
Apesar da reivindicação ter o apoio da maioria, porém, a forma escolhida para pleitear está sendo sumariamente contestada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que chegou a elaborar um documento exigindo providências para o fim da greve (leia mais abaixo).
“O que preocupa a advocacia é que para obter sua reposição salarial e melhores condições de trabalho, os servidores estão descarregando no povo, que não tem culpa. É um problema exclusivo do Tribunal de Justiça e do governo do Estado”, salienta o presidente da subseção da OAB em Pirajuí, Jordão Poloni Filho.