Incerteza quanto ao aprendizado e cumprimento do conteúdo programático dos cursos. Essa é a preocupação de grande parte dos 4 mil estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, que voltaram às aulas ontem, após 71 dias de duração da greve dos funcionários e professores. Ainda nesta semana será definido um calendário de reposição, mas a previsão é que aulas do ano letivo seguirão até fevereiro de 2005.
O calendário proposto pela Unesp será apreciado pelas congregações das três faculdades da Unesp de Bauru - Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), Ciências (FC) e Engenharia (FE). A sugestão é que as aulas retomadas ontem prossigam até 14 de setembro. “Haverá uma semana de recesso para matrícula de alunos e voltaremos em 27 de setembro, seguindo até 22 de dezembro. Paramos para o recesso de festas (de final de ano) e começaremos no dia 3 de janeiro, prosseguindo até a primeira semana de fevereiro”, explica o diretor da faculdade de Ciências, José Brás Barreto de Oliveira.
Atendendo a uma exigência legal, o novo calendário será composto por 200 dias letivos. Oliveira considera a reposição suficiente para não prejudicar o andamento dos cursos de graduação. “A administração está unindo esforços para que não haja nenhum prejuízo didático para os estudantes. O que estava programado para ser executado nos semestres normais, será executado agora”, afirma.
Porém, muitos alunos da Unesp estão inseguros em relação à possibilidade de atraso nas matérias. Esse é o caso de Larissa Scarelli Leite, estudante do segundo ano de psicologia. “Acho que nós vamos ser prejudicados. Em termos de conteúdo, não sei se eles (professores) vão dar aulas como antes, e nós também não lembramos direito onde paramos (no andamento das matérias)” reclama. Sua colega de classe, Amanda Nascimento Morgado, concorda. “(As aulas) vão ficar um pouco jogadas. A greve foi muito ruim para nós”, aponta.
“O problema é que não deu para planejar nada. Por exemplo, eu poderia ter arrumado um estágio, mas não sabia quando as aulas começariam”, acrescenta o estudante do quarto ano de engenharia Daniel Roberto Corrêa.
Outra preocupação dos alunos é quanto ao cumprimento do cronograma escolar. “Não sabemos como (o programa) vai ficar”, reclama Bruno Watanuki, que cursa o quarto ano de engenharia. “Existem vários boatos sobre o calendário, mas não é nada concreto”, diz Larissa.
O período de ausência das aulas levou a “férias forçadas” e atrasou o ritmo de aprendizado dos estudantes. Daniel Luchesi, aluno do segundo ano de engenharia, conta que foi difícil retomar às aulas normalmente. “Estávamos terminando um semestre, e de repente acabou. Na verdade tivemos nossas férias de dezembro e janeiro. O problema é que estamos em ritmo de começo do ano no começo do semestre, o que não é nada bom, ainda mais se os professores resolverem marcar provas”, diz.
O aluno do primeiro ano de engenharia Renato Santinho Reis tem a mesma opinião. “Perdemos o pique, com certeza”, reforça. “Foi ruim ficar ocioso durante todo esse tempo”, reclama o aluno do segundo ano jornalismo Bruno Guerra. “Mas o prejuízo maior será para quem está se formando”, salienta.
Segundo Oliveira, devido à paralisação, as datas das formaturas serão alteradas. “Vamos deslocar as colações de grau que seriam em fevereiro, para meados de março ou início de abril. Porém, não haverá problemas quanto à conclusão dos cursos”, ressalta. O calendário dos vestibulares não sofrerá mudanças e, como de costume, as provas serão realizadas em novembro.
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Reajuste
A greve dos professores e funcionários da Unesp teve início no dia 21 de maio. Eles reivindicavam 16% em reposição salarial, mas diante do impasse nas negociações, o Fórum das Seis resolveu baixar o reajuste para 9,41% e aceitar a proposta apresentada na semana passada pelo Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp).
A negociação estabeleceu reajuste de 2% a partir do mês de maio, mais 2,14% a partir de agosto e a aplicação, em janeiro, da fórmula de política salarial do Cruesp, que prevê aumento de 5,7%.