Regional

Oposição contesta divórcio de candidato a prefeito de Borebi

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Borebi - A separação conjugal do ex-prefeito Antônio Carlos Vaca e da atual prefeita Leila Ayub Vaca está sendo contestada na Justiça Eleitoral pelo PMDB e PT de Borebi (45 quilômetros a sul de Bauru). Vaca é candidato a prefeito pelo PSDB. A legislação proíbe a sucessão eleitoral entre marido e mulher.

O divórcio oficial ocorreu em 1996, mas desde então ambos são freqüentemente vistos juntos. Além de serem vizinhos, o ex-prefeito e a atual prefeita se encontram no serviço todos os dias. Em razão de sua “experiência administrativa”, Vaca foi escolhido para exercer o cargo de chefe de gabinete da ex-mulher.

Leila foi eleita em 1996, ano da separação conjugal, assumiu em janeiro de 1997 e foi reeleita em 2000. Nas duas ocasiões, ela entrou na disputa sozinha, sem adversário para dividir os 1.500 votos do município.

Para a oposição, a separação do casal seria uma jogada política para que ambos pudessem se revezar no comando da prefeitura.

Desde sua emancipação, em 1990, Borebi teve apenas dois prefeitos. Vaca venceu a eleição em 1992 e foi sucedido pela ex-mulher em 1997. Como já foi reeleita, Leila não pode concorrer este ano. Com a candidatura do ex-marido, há chances de que o sobrenome Vaca continue sendo sinônimo de poder político local.

A influência da família na cidade é facilmente notada pelos visitantes. A estrada vicinal que dá acesso ao município leva o nome do ex-prefeito. Na cidade, o recinto onde é feita a tradicional Festa do Peão é conhecido pelo sugestivo nome de “Vacódromo”.

Ressentimento

Com uma eventual impugnação da candidatura de Vaca, que tem o apoio da prefeita, a chapa de oposição formada pelo PMDB e PT disputaria a eleição sem concorrente.

O candidato a prefeito pela oposição, Manoel Frias Filho (PMDB), foi o vice-prefeito da cidade entre 1993 e 1996, quando Vaca era o prefeito. Ele contou ao Jornal da Cidade que era o candidato natural à sucessão municipal, quando o ex-prefeito se separou da mulher e depois passou a apoiá-la como candidata.

Sem conseguir esconder seu ressentimento, Mané, como é mais conhecido na cidade, disse que só aceitou disputar novamente uma eleição por pressão do partido.

Em 1996, a oposição já havia tentado derrubar na Justiça Eleitoral a candidatura de Leila, alegando que o casal ainda continuava junto, mas não teve sucesso.

A resposta ao pedido de impugnação será dada, provavelmente, na próxima segunda-feira pela juíza eleitoral Ana Lúcia Aiello Garcia, de Lençóis Paulista.

Ontem, ela esteve reunida com as testemunhas arroladas por ambas as partes e também pelo Ministério Público, que acompanha o caso. Dependerá da juíza a manutenção da candidatura do ex-prefeito.

Caso ela entenda que a separação do casal não teve efeitos práticos e aceite a impugnação do candidato da situação, Vaca poderá ainda recorrer da decisão.

No processo constam ainda dois boletins de ocorrência contra o ex-prefeito. O primeiro foi registrado no sábado passado e denuncia uma suposta coação de testemunhas.

De acordo com o boletim, registrado por Anderson Pinheiro de Goes, vereador e representante da coligação formada pelo PMDB e PT, Vaca teria se reunido por cerca de uma hora com quatro testemunhas que deveriam ser ouvidas ontem. O encontro teria ocorrido na sede do Sindicato Rural de Lençóis Paulista.

O segundo boletim acusa o ex-prefeito de ter oferecido dinheiro a uma outra testemunha para que não comparecesse ao Fórum. As denúncias foram registradas na Delegacia de Polícia de Lençóis Paulista e, posteriormente, remetidas à Polícia Civil de Borebi, onde deverão ser investigadas.

____________________

'Tapetão'

Na opinião do candidato à prefeito, Antônio Carlos Vaca (PSDB), as acusações contra ele e as suspeitas lançadas sobre sua separação conjugal não passam de uma tentativa da oposição de querer ganhar a eleição no “tapetão” (jargão utilizado no futebol para classificar as decisões tomadas fora de campo).

O ex-prefeito diz estar confiante na decisão da Justiça Eleitoral. Segundo ele, não existe nenhum relacionamento disfarçado com a ex-mulher, a prefeita Leila Ayub Vaca (PSDB), apesar da proximidade entre as duas casas.

Elas parecem fazer parte de um mesmo terreno. O imóvel fica numa esquina, cercado por muro alto. Enquanto o ex-prefeito entra por um rua, a prefeita entra por outra.

O lado supostamente ocupado por Leila passa atualmente por reformas. Enquanto o trabalho não for encerrado, ela ficará na casa que seria do ex-marido (virando a esquina).

Vaca, por sua vez, ficará até o fim da reforma em uma casa alugada, com a mãe e um filho. Vizinhos ouvidos pela reportagem disseram que depois que as obras começaram o ex-prefeito não teria sido mais visto no local. Outros comentaram que nem mesmo a prefeita tem sido vista na casa.

O advogado Carlos Alberto Martins, que representa a coligação de oposição, disse ontem que irá se pronunciar sobre o assunto somente após a decisão da Justiça Eleitoral na próxima segunda-feira.

Comentários

Comentários