Faltando menos de cinco meses para o término da atual administração, a Secretaria Municipal de Obras garante que irá concluir até dezembro serviços que caminham em ritmo lento, como a reforma do asfalto da avenida Rodrigues Alves, a recuperação da ponte Ayrton Senna e a construção de quatros escolas que enfrentaram problemas com as empresas vencedoras da licitação.
Embora o tempo que resta seja curto e os serviços se arrastem desde o ano passado, o secretário municipal de Obras, José Ângelo Padovan, diz que é possível cumprir a promessa. “Não tem essa história de final de governo”, declara.
Para honrar o compromisso, porém, ele terá que agilizar o andamento das obras. A recuperação da ponte Ayrton Senna, que liga a região do Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1, por exemplo, tem se mostrado bastante problemática. Inaugurada em setembro de 2000, a passagem sobre o rio Bauru foi interditada em janeiro do ano passado após a constatação de problemas estruturais.
Depois de uma série de indefinições e contestações judiciais, a reforma da ponte teve início em abril. O trabalho consiste no reforço dos oito pilares que sustentam a estrutura, mas até agora apenas dois deles foram concretados.
Padovan afirma, no entanto, que o restante do serviço será feito em ritmo mais acelerado. “O calculista estrutural responsável pelo projeto nos orientou a realizar a concretagem de um bloco por vez, intercalando as margens, mas em função do que fizemos até agora ele vai analisar novamente os procedimentos rotineiros e há a possibilidade de que o nosso cronograma seja facilitado”, diz.
Ele garante que, independente do resultado dessa análise, a ponte estará reaberta ao trânsito até o final do ano. “A concretagem do primeiro bloco foi a mais difícil, mas agora o nosso pessoal já pegou o jeito e está trabalhando mais rápido”, declara.
Enquanto isso, pedestres, ciclistas e motociclistas continuam utilizando a passagem de madeira construída ao lado da ponte. “É perigoso transitar por aqui, principalmente à noite, e já era para essa reforma estar pronta faz tempo”, protesta o motorista Marcos Roberto Monteiro.
No caso dos automóveis, caminhões e ônibus, o desvio é ainda maior, pois os veículos precisam andar vários quilômetros a mais para fazer a interligação entre os dois bairros.
Rodrigues Alves
A reforma do asfalto da Rodrigues Alves, na região central da cidade, é outro exemplo de obra que vem se arrastando nos últimos três meses. As quadras 1 a 13 da avenida são as que apresentam situação mais crítica, mas apenas duas delas foram recapeadas. A quadra 10 começou a ser recuperada ontem.
Padovan argumenta que os trechos que já foram ou estão sendo reformados são os mais problemáticos, pois exigem a troca da base e da capa asfálticas. “Pretendemos fazer o restante de uma vez só, porque será preciso substituir apenas a capa. O cidadão terá uma surpresa”, prevê.
O empresário César Augusto Fernandes espera que essa agilidade realmente se concretize. “A prefeitura tem que fazer essa reforma mais rapidamente, porque do jeito que está eu até evito muitas vezes passar por aqui”, relata.
Outro exemplo de obra arrastada é a construção das Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emefs) do Ferradura Mirim/Tangarás, Parque Santa Cândida/Leão 13, Bauru 1 e Jardim Flórida/Araruna. Os trabalhos tiveram início em março do ano passado, com prazo de seis meses para conclusão, mas as empresas que venceram a licitação apresentaram problemas e os contratos foram rescindidos no início de 2004.
Somente agora, cerca de seis meses depois, novos processos licitatórios para as quatro unidades estão sendo realizados. Padovan argumenta que a burocracia atrapalhou a retomada dos serviços, pois primeiramente todas as participantes da primeira concorrência pública tiveram que ser consultadas sobre o interesse em assumir as obras.
Em razão da demora, porém, cerca de 4.000 alunos de 1ª a 8ª séries estão deixando de cursar o ano letivo nas novas Emefs. “Elas serão entregues ainda nesta gestão”, diz o secretário.
Se a reforma da ponte Ayrton Senna, a construção das quatro Emefs e o recape da avenida Rodrigues Alves não estiverem finalizados em janeiro, porém, a população não terá mais como cobrar a atual administração pela promessa não cumprida. Mais do que isso, terá que continuar convivendo com problemas que já poderiam ter sido solucionados há mais tempo.
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Fase final
A Secretaria Municipal de Obras também promete retomar amanhã o recapeamento da estrada vicinal que liga a rodovia Marechal Rondon ao Distrito de Tibiriçá. Quatro dos cinco quilômetros da via foram recuperados, mas há um mês os serviços foram interrompidos.
O secretário municipal de Obras, José Ângelo Padovan, diz que a suspensão do recape foi provocada pelo realocamento de máquinas e equipamentos que estavam sendo utilizados na recuperação da vicinal. Além disso, ele argumenta que a implantação de canaletas também colaborou para o atraso da obra, que está orçada em R$ 360 mil. Os custos estão sendo divididos pela prefeitura e pelo governo estadual.
Já a duplicação da avenida Luiz Edmundo Coube, que abriga o Hospital Estadual Arnaldo Prado Curvêllo e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), está com o cronograma em dia. Os trabalhos começaram em junho e devem ser concluídos em outubro. “A parte de tubulação e bueiros está praticamente pronta e as máquinas estão preparando a base para deixá-la na altura correta do asfalto”, comenta Padovan.
Antes do início, porém, a obra também enfrentou problemas. A licitação, prevista para ser realizada no ano passado, só foi concluída em maio de 2004. O município demorou para empenhar os R$ 80 mil que precisou oferecer como contrapartida aos R$ 835 mil bancados pelo governo estadual e, depois, tentou mudar o edital, o que acabou não se concretizando.