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HE disponibiliza UTI para Paraguai

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo, de Bauru, colocou ontem à disposição do Paraguai quatro leitos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do setor de queimados. O objetivo é auxiliar no atendimento às vítimas de um incêndio ocorrido no último domingo em um supermercado de Assunção, capital paraguaia. O acidente matou cerca de 400 pessoas, e deixou outras dezenas de feridos em estado grave.

O governo brasileiro colocou-se à disposição do país vizinho para colaborar no que fosse possível. Uma das medidas foi disponibilizar leitos em serviços especializados no atendimento de queimaduras para receber os paraguaios. A Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do HE de Bauru foi acionada e, até ontem, dispunha de quatro vagas em UTIs especializadas, mais quatro leitos de enfermaria.

“Por enquanto, o Ministério da Saúde só está rastreando quantos leitos o Brasil poderia disponibilizar em caso de necessidade. No Estado de São Paulo, temos, neste momento, 30 vagas, sendo 15 em UTIs e 15 em enfermaria”, informava, no final da tarde de ontem, a coordenadora do Programa Estadual de Atendimento ao Queimado, Gilka Barbosa Lima Nery.

Segundo ela, o Estado mantém, atualmente, 17 serviços capacitados ao atendimento de queimados graves. A UTQ de Bauru está entre as mais modernas e era uma das que mais dispunha de leitos vagos em UTIs até ontem.

“Todo esse levantamento pode ser só por precaução, num ato de solidariedade entre países vizinhos. Mas a quantidade de vítimas paraguaias é muito grande. O incêndio foi uma catástrofe. Penso que nenhum País teria capacidade para atender tanta gente ao mesmo tempo em condições normais”, alertou Nery.

De acordo com a assessoria de imprensa do HE, o pedido do ministério levou à mobilização de toda a equipe. O hospital manteve sua rotina durante todo o dia, mas profissionais de todos os setores estavam de sobreaviso para uma eventual transferência de paraguaios para o Bauru. No início da noite de ontem, o Ministério da Saúde informou que três pacientes paraguaios estavam internados num hospital de Foz do Iguaçu (PR).

“Mas o governo do Paraguai entrou em contato conosco informando que a situação já está sob controle (...) Restam 70 pacientes internados, 22 deles em estado grave. Estamos de prontidão, mas eles acham que não vai ser necessário enviar outros pacientes para o Brasil”, divulgou a assessoria de imprensa.

O Ministério da Saúde tem cooperado com o atendimento das vítimas paraguaias desde o início da semana. Até ontem foram enviados ao país vizinho quase 10 toneladas de medicamentos, 22 respiradores especiais para UTI, três técnicos de saúde, uma enfermeira e dois médicos especializados no atendimento de desastres com grande quantidade de vítimas.

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Questão judicial

A possibilidade de que pacientes paraguaios fossem transferidos para Bauru levanta um questionamento sobre os direitos do doente brasileiro. Se a transferência dos paraguaios causasse uma superlotação hospitalar e coincidisse de um brasileiro precisar de internação nessas unidades no mesmo período, quem teria a preferência?

Questionado sobre isso, o presidente da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Bauru, Edson Reis, comenta que a medida padrão seria encaminhar o novo paciente para outro serviço da rede pública de saúde onde houvesse uma vaga disponível.

“Claro que esse cidadão (brasileiro) poderia acionar a Justiça. Mas a Constituição prevê atendimento em saúde para a pessoa humana, sem discriminar a nacionalidade”, comenta. Na opinião do advogado, a situação exige bom-senso. Trata-se de uma catástrofe é preciso cooperar com o que for possível.

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