As campanhas eleitorais de pelo menos sete dos oito candidatos à Prefeitura de Bauru ainda não deslancharam visualmente e apresentam-se tímidas nas ruas e avenidas. A 58 dias das eleições municipais, os tradicionais cartazes, outdoors, faixas e brindes ainda não incomodam os eleitores que diariamente transitam pela cidade. Esse comportamento tem uma explicação: falta de dinheiro.
Sem aporte financeiro, as campanhas se desenvolvem precariamente. Os financiadores dos candidatos também são vítimas da falta de dinheiro. Na avaliação da coordenadoria de campanha do candidato a prefeito Luiz Carlos Valle (PSB), a dificuldade para atrair recursos existe, mas há outros fatores que contribuem para a timidez da campanha de um modo geral.
A assessoria do socialista acredita que a situação mudará com o início do horário eleitoral gratuito na TV e no rádio. Outra observação é a de que o Ministério Público Eleitoral está atuante nas denúncias de abusos que são feitas. A coordenadoria de Valle lembrou ainda que só foi realizado um debate entre os candidatos e acredita que a campanha vai ficar mais acirrada com outros embates já agendados.
Mas Rubens de Souza, um dos coordenadores do prefeitável Antonio Sérgio Marsola (PPS), aposta em outra vertente para explicar a timidez da campanha. “É lógico que existe a falta de dinheiro, mas os candidatos estão mesmo é pensando na consciência do eleitor. O posicionamento nas eleições de 2000 é reflexo do que ocorre hoje”, avalia.
Ele lembra que um candidato a prefeito em 2000 “inundou” Bauru de dinheiro. “O eleitor rejeitou, na eleição passada, esse tipo de comportamento, principalmente a chamada campanha milionária. Acho que os candidatos que têm dinheiro estão com medo do eleitorado, hoje mais consciente”, analisa Souza.
A dificuldade para arrumar recursos destinados a deslanchar a campanha não atinge somente Valle e Marsola. Na coligação Juntos por Bauru, encabeçada pelo ex-deputado Tuga Angerami (PDT), a escassez financeira também preocupa. “Existem menos recursos. Todo mundo está na mesma situação”, diz Edmundo Albuquerque, um dos coordenadores da campanha de Tuga. Mas ele acredita que com o início dos programas de TV, a situação vai mudar para melhor.
Para driblar a falta de dinheiro, a candidata do PT à prefeitura, Estela Almagro, priorizou as reuniões domésticas com grupos, substituindo os grandes comícios. “Preferimos a mobilização do que uma campanha que vende um produto. Esse comércio em torno da eleição não pode substituir o debate político”, opina.
Mas na opinião do candidato do PSTU, Sandro Fernandes, não é somente o dinheiro que dificulta as campanhas eleitoraos. “O fato desta eleição ter dois turnos tem que ser levado em consideração. Muitas coligações já estão de olho na composição do segundo turno. Isso esfria, tira a autenticidade das críticas em relação aos candidatos. Se não for assim, vão ter que explicar lá na frente a aliança. Portanto. há um jogo de interesses”, afirma.
A opinião de Fernandes é reforçada por Clodoaldo Gazzetta (PV). “O segundo turno influencia sim essa eleição. Acho também que a maioria dos candidatos vai gastar os recursos mais para o final da campanha. Avalio ainda que a Justiça está mais rigorosa em termos de campanha e, sem dúvida, a falta de recursos ajuda. Falo pela minha campanha, que também tem dificuldade para arrumar dinheiro”, afirma.
Partido de esquerda pequeno e ainda considerado radical, o PCO amplia a lista das legendas que têm dificuldade de angariar recursos. “Contamos com a colaboração espontânea dos trabalhadores”, diz Osmar Brito, vice na chapa encabeçada por Maria Cristina Romão da Silva.
Voz distoante dos demais candidatos, o prefeitável Caio Coube (PSDB) assume que sua campanha é a mais visível na cidade. “Nossa campanha está nas ruas. É a mais quente. Estamos fazendo um comício grande toda semana. Isso mostra o nível de organização e estruturação. Nós nos preparamos para a campanha. Estamos cumprindo o que planejamos”, garante.