Agudos - A Polícia Civil, a Câmara Municipal e a Associação Hospital de Agudos, que gerencia o Pronto-Socorro Municipal, estão investigando uma suposta negligência médica na morte do menino Leonardo Vinícius da Silva, 12 anos, na segunda-feira passada.
O garoto morreu poucas horas depois de ser atendido no PS. De acordo com a certidão de óbito, Leonardo morreu em decorrência de hemorragia abdominal interna, depois de cair em um buraco, enquanto procurava bambu para fazer pipa.
O acidente não deixou nenhuma lesão aparente, mas o adolescente reclamava de dor na nuca. A médica plantonista que o atendeu no PS receitou um medicamento para cortar a dor e pediu aos pais que retornassem na manhã do dia seguinte para que fosse feita uma radiografia no filho.
Não deu tempo. Leonardo morreu algumas horas mais tarde no sofá da casa, enquanto pais e irmãos dormiam. A morte dele só foi descoberta por volta das 6h45, quando o pai, o pedreiro Valdir Donizete da Silva, 40 anos, foi acordá-lo para levar ao PS fazer a radiografia.
Para o gerente administrativo do hospital, Alberto Alves Lima, mesmo que tivesse sido feita a radiografia da coluna cervical do garoto, a lesão do abdômen, que acabou resultando na morte dele, poderia não ter sido detectada.
Segundo ele, o fato do paciente não ter sido submetido a exame de raio-X no domingo à noite não significa que o hospital estava sem o serviço.
Ele exibiu um relatório onde consta que o PS teria realizado 13 radiografias naquele dia, sendo três de coluna cervical. De acordo com o gerente, o aparelho encontra-se em pleno funcionamento e é operado 24 horas por dia. Portanto, a decisão da médica de fazer o exame apenas no dia seguinte, teria sido tomada em razão do quadro clínico do paciente, que aparentemente seria bom, porque ele chegou e saiu do PS andando.
Lima disse ontem que o procedimento da médica será avaliado por uma comissão de ética, formada por três médicos do quadro clínico do hospital. O resultado será remetido ao Conselho Regional de Medicina (CRM) para eventuais providências. A sindicância tem um prazo de 90 dias para ser concluída.
Embora acredite não ter havido negligência médica, Lima disse que o hospital pediu mais cuidado aos médicos para evitar que caso semelhante volte a acontecer. Segundo ele, em seis anos como gerente administrativo esta seria a primeira vez que uma pessoa morre em casa pouco depois de ser atendida pelo PS.
O caso será investigado também pelo delegado de polícia Eron Veríssimo Gimenes e pela Câmara, por intermédio do vereador Paulo Condi (PSDB), que já requisitou informações do hospital sobre o ocorrido.
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O tombo
O tombo que causou a morte de Leonardo Vinícius da Silva, 12 anos, ocorreu em um pedaço de mata que fica próximo ao cemitério e distante cerca de dois quilômetros de sua casa, na Vila Vato. Ele e outros três garotos (um irmão, um primo e um colega) estavam à procura de bambu para fazer pipas.
Quando voltavam para casa, eles tiveram de atravessar um córrego sobre um tronco de árvore. Leonardo escorregou e caiu no córrego, exatamente em um local onde existe um buraco de cerca de dois metros e meio de profundidade.
Com a ajuda dos companheiros de aventura, o adolescente conseguiu sair, mas escondeu da família o que tinha acontecido.
Mais tarde, ele começou a reclamar de dor na nuca e disse à mãe, Alzira Alves da Silva, 41 anos, que havia caído enquanto jogava futebol.
Quando a dor aumentou, por volta das 20h, os pais decidiram levá-lo ao Pronto-Socorro (PS). Logo depois de ter voltado para casa, Leonardo vomitou o remédio que havia tomado no hospital.
Mesmo sem jantar, o garoto foi dormir, mas por volta das 3h acordou a mãe com seu choro de dor. Ele pediu para dormir no sofá em uma posição que, segundo contou à mãe, aliviava a dor.
Quando o dia amanheceu, o pai, Valdir Donizete da Silva, 40 anos, foi acordá-lo para levar ao hospital e o encontrou “numa posição estranha”, com a cabeça encostada no chão e as pernas sobre o sofá. Comentou com a mulher que o filho parecia sem vida. Desesperados, colocaram o garoto no carro e levaram para o hospital, onde ficou comprovado que ele havia morrido.
Leonardo foi enterrado anteontem. Os pais só ficaram sabendo do tombo do filho no córrego durante o velório, quando os companheiros contaram a história verdadeira.
Leonardo estava cursando a 5.ª série do ensino fundamental na escola Manoel Gonçalves, no próprio bairro e, segundo os pais, nunca trouxe problemas para a família.
Além dele, o casal tem ainda mais seis filhos e um sobrinho, que está sendo criado na mesma casa.