Uma equipe do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar de São Paulo detonou ontem à tarde, de forma controlada, um artefato explosivo que estava acondicionado num pacote no Centro de Tratamento de Cartas e Encomendas dos Correios de Bauru.
A caixa, que pesava 2,5 quilos, continha cerca de dez bastonetes com pólvora e fios de estopim. Os fragmentos do material foram encaminhados para a Polícia Federal de Bauru e em seguida para o Gate, que deve emitir um laudo, precisando o potencial explosivo do artefato.
“O poder de explosão é muito relativo, dependeria do ambiente onde se encontrava o material e de diversas variáveis. Mas se (o artefato) explodisse próximo a uma pessoa poderia causar danos”, diz o tenente Fernando Sério Vitória, que comandou a operação do Gate.
O artefato explosivo foi retirado do prédio dos Correios, localizado na rua Joaquim Marques Figueiredo, no Distrito Industrial 1, e detonado num campo vizinho, de propriedade do Corpo de Bombeiros. Para realizar a explosão controlada, os policiais isolaram o local num raio de 50 metros.
A descoberta do material ocorreu anteontem à tarde, depois que a encomenda passou por equipamentos de segurança postal dos Correios ( raio-x e espectômetro).
A encomenda, que foi postada em São José do Rio Preto em dezembro do ano passado, estava no setor de refugo dos Correios há três meses. A correspondência tinha como destino a cidade de Pontal do Paraná (PR) e deixou de ser entregue porque o endereço de destino não foi localizado.
A encomenda voltou para São José do Rio Preto e os funcionários dos Correios também não conseguiram devolvê-la ao remetente. Como ninguém reclamou no período de 180 dias, ela foi encaminhada para descarte ao Centro de Tratamento em Bauru, que coordena as operações de remessa e recebimento de carta de várias cidades do Interior, segundo a assessoria de imprensa do órgão.
“O Centro de Tratamento funciona como uma espécie de regional e todas as encomendas da região que não encontram seu destinatário, durante um tempo, são remetidas para Bauru”, explica o capitão Nelson Garcia Filho, comandante da 4.ª Cia da PM.
Quando a correspondência foi submetida à inspeção anteontem, os funcionários suspeitaram da existência de explosivos e acionaram a Polícia Militar, que tomou as medidas iniciais de controle, como o isolamento do produto.
“Depois disso, nós analisamos e vimos que seria necessário chamar a equipe do Gate”, afirma o tenente da Força Tática de Bauru, Renato Ramos, especialista em ocorrências envolvendo artefatos explosivos.
Destruição
A operação, que durou cerca de duas horas, mobilizou vários policiais e atraiu muitos curiosos ao Distrito Industrial 1. Para manusear a caixa com o explosivo, um policial do Gate teve que utilizar um macacão antifragmentação, que pesa cerca de 20 quilos.
“Havia uma forma de acionamento do explosivo que a gente conseguiu detectar. E no nosso procedimento a gente procurou eliminar essa forma de acionamento para que não houvesse perigo. Nós provocamos a explosão controlada para desmantelar o artefato sem que acionasse o explosivo do objeto montado”, explica o tenente Vitória, destacando que o explosivo só poderia ser ativado se o pavio fosse aceso.
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Outra ocorrência
Em menos de um ano, essa é a segunda vez que os Correios de Bauru encontram artefato explosivo dentro de uma correspondência. Em outubro do ano passado, explosivos acondicionados em uma caixa de sapato foram identificados também através do sistema de segurança postal da empresa (raio-X e espectômetro). O artefato, composto por cinco bastonetes à base de nitroglicerina, tinha grande capacidade de detonação.
Na região, no início deste ano, o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) de São Paulo já havia sido acionado devido à descoberta de explosivos no município de São Manuel. Na ocasião, 157 bananas de dinamite foram encontradas em um terreno baldio. O material pesava aproximadamente 30 quilos.