Há mais de um mês, a maioria dos servidores do Judiciário paulista encontra-se em greve. O movimento é justo e legítimo, pois visa garantir, dentre outras reivindicações, a recomposição dos salários da categoria, sem correção há três anos, quer dizer, sem a reposição da inflação. Apesar de receber críticas, o movimento segue forte (ainda bem!). Infelizmente, uma das críticas partiu de setores da OAB, que preferem não enxergar que a greve objetiva, além da reposição salarial, a contratação de mais funcionários e a compra de mais equipamentos. Se tudo continuar como está (quantidade insuficiente de funcionários para atender a demanda, servidores mal remunerados e equipamentos em número reduzido), o prejuízo aos advogados, que a OAB defende, será muito maior a longo prazo.
Avaliar que a greve está causando prejuízos aos advogados e à população, e não a perene situação de descalabro, é não fazer uma avaliação mais profunda da situação. Assim, entendo que, quem quer um Poder Judiciário mais eficiente e menos moroso, deve apoiar a luta dos funcionários em greve; porém, quem quer uma Justiça lenta e ineficaz, deve criticá-la. Não adianta tapar o sol com a peneira. Até quando assistiremos os servidores sofrerem sob a batuta de Geraldo Alckmin (PSDB), que arrocha seus salários, e sob a de Lula (PT), que ataca direitos históricos, como na recente reforma da Previdência? Não dá para ficar calado. Basta!
Marcos Silvestre - Diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região e militante do PSTU