A Associação dos Servidores Públicos Municipais está dividida politicamente após a eleição que renovou a diretoria executiva. O voto polêmico do vereador Zito Garcia (PPS) provocou um racha nos conselheiros. O parlamentar participou da eleição sem estar em dia com as mensalidades da entidade, da qual ainda é conselheiro vitalício.
O estatuto da associação é claro ao regulamentar que o conselheiro perde a função após deixar de recolher as constribuições. Zito teria ficado inadimplente por cerca de um ano. Ele apoiou a eleição da servidora Rosa Gonçalves, de quem foi colega de trabalho na Secretaria Municipal de Agricultura.
O atual secretário municipal da Administração, Everson Demarchi, era seu concorrente. Ele, que presidia a diretoria executiva, perdeu a eleição por dois votos: 13 a 11.
Ontem à noite, 22 conselheiros se reuniram para discutir a denúncia contra a irregularidade praticada por Zito, apresentada pela conselheira Cleiry Jacobine, que pediu a nulidade da eleição. Mas a denúncia foi arquivada por 12 votos. Nove conselheiros votaram a favor da anulação do pleito e um voto foi anulado. O voto do vereador foi anulado pelo conselho. Cleiry ainda não sabe se vai recorrer à Justiça para exigir a nulidade da eleição.
“A Rosa levou o Zito com o intuito de ganhar a eleição. O vereador compareceu e na hora da votação ninguém se atentou para a irregularidade”, disse. A conselheira garante que o nome de Zito não constava no quadro de associados da entidade.
O vereador Zito Garcia garantiu ontem que pagou as mensalidades atrasadas, mas depois da eleição. Ele entende que isso não é ilegal e que outros associados recolhem a contribuição no decorrer do ano. “O Everson, ex-presidente, não faz o desconto em holerite. Ele paga eventualmente, de três em três meses. Vou querer ver se ele realmente está em dia ou se deixa para pagar no final do ano”, avisa.
Zito diz que se afastou da atividade de carreira que exercia na prefeitura para assumir a suplência na Câmara Municipal no lugar do ex-vereador Walter Costa. “Eu não deixei de pagar (a associação). Eu deixei de receber da prefeitura. Então não tem base de cálculo.” O parlamentar lembra que no ato da eleição ninguém o impediu de votar.
O presidente do Conselho Deliberativo da entidade, Wagner Bertolucci, disse que consultou um advogado e que a partir da ocupação vitalícia num clube o associado não teria a obrigação de recolher a mensalidade. “Foi um erro na época em que fizemos o estatuto”, comenta.
Na avaliação de Rosa Gonçalves, a eleição foi legítima. Ela contesta a tentativa de ligar o seu nome ao do vereador Zito. “Todos nós somos colegas de trabalho. Trabalhamos juntos pelo mesmo ideal.” Everson Demarchi não quis se pronunciar sobre o assunto.