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Expedição rumo à Transamazônica

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Mais de 7 mil quilômetros, a maioria deles em trechos intransitáveis, cheios de lama, em um clima que alterna calor escaldante com chuvas torrenciais e quase ninguém por perto para ajudar. Coisa de maluco? Não, é apenas o resumo do que um grupo já se prepara para enfrentar durante a expedição que pretende encarar uma das mais polêmicas rodovias nacionais: a Transamazônica.

O planejamento da aventura, que reunirá 12 pessoas - dez bauruenses e dois avareenses divididos em seis jipes (três Toyotas, dois Javalis e um D10) - já está traçado. A previsão é sair de Bauru no início de janeiro de 2005 e, após 30 dias, ter rodado 7.200 quilômetros, mais de 2.400 deles em terra “pura”, atravessado vários Estados e desbravado a Transamazônica.

A época prevista para a viagem não foi escolhida por acaso pelo grupo. Em virtude da quase completa ausência de pavimentação da rodovia, a Transamazônica só é trafegável em alguns trechos durante o verão, que vai de junho a dezembro. No período chuvoso, justamente o “eleito” pelos membros da expedição para efetuá-la, o trânsito é muito difícil ou impossível em 70% da estrada.

Vários trechos viram lamaçais e ficam interrompidos, deixando ilhados quase todos os poucos núcleos urbanos. Caminhões e ônibus podem ficar dias e até semanas atolados aguardando socorro. “Encará-la neste mês de chuvas será um enorme desafio”, enfatiza Wagner Gomes França, que organiza a expedição juntamente com o engenheiro bauruense Marcos Camerini.

“Vamos lá para procurar encrenca. Se quiséssemos ter vida mansa, ficaríamos em casa”, brinca Camerini. Apesar disso, ambos consideram que o aspecto mais difícil será enfrentar a imprevisibilidade do clima, que alterna condições quentes e úmidas, e da própria rodovia. “Dependendo do trecho, podemos demorar um dia inteiro para andar apenas dez quilômetros”, diz.

“Os veículos e equipamentos necessários já estão sendo preparados, bem como os roteiros definidos. Agora precisamos viabilizar patrocínios para garantir a estrutura logística e o caráter social da viagem ”, sustenta Wagner.

Isso porque, acrescentam os aventureiros, a expedição não será um mero passeio turístico. “Queremos doar cestas básicas, remédios e materiais escolares. Algumas cidades, como Campo Grande, Cuiabá, Manaus e Belém, já interessaram-se em recebê-los através das prefeituras e dos jipe clubes locais”, conta Camerini.

Como os donativos não poderão ser transportados nos jipes devido ao excesso de peso, Wagner e Camerini esperam contar com o apoio de transportadoras. “O tempo gasto para superar as trilhas terá de ser cuidadosamente avaliado para chegarmos aos municípios

concomitantemente com os materiais arrecadados”, observa o engenheiro.

Se depender da experiência de Camerini e Wagner, a expedição será um sucesso, pois ambos não são “marinheiros de primeira viagem” em eventos off road. Enquanto o primeiro já participou de algumas competições do gênero, o segundo já efetuou, em 2001, aventura semelhante pela Transamazônica.

“Fui com meu irmão e rodei, durante 22 dias, cerca de 9 mil quilômetros superando diversas dificuldades. Foi um laboratório e tanto para encararmos novamente este desafio”, finaliza Wagner.

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A estrada

Cravada na Floresta Amazônica desde o início da década de 70, a Transamazônica permanece inacabada, sem pavimentação na maior parte de sua extensão e sem função socioeconômica definida.

Sua “origem” começa em Picos (PI) e deveria “rasgar” toda a floresta Amazônica até a fronteira com o Peru, totalizando cerca de 5.400 quilômetros, mas as obras, iniciadas no governo do general Emílio Garrastazu Médici, não foram além do município de Lábrea (AM).

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