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Comerciários correm para presentear

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Como conciliar a necessidade de trabalhar até mais tarde com a quase obrigação de dar pelo menos uma lembrancinha aos pais na data de hoje? Este drama certamente foi vivenciado por milhares de empregados do comércio bauruense, que funcionou em horários especiais nos últimos dois dias, complicando a missão de pesquisar para garantir um presente aos papais. Por isso, muitos adotaram estratégias e argumentos especiais a fim de superar a falta de tempo.

Na véspera do Dia dos Pais, a jovem Fernanda Nardi, 18 anos, funcionária temporária de um estabelecimento especializado em presentes, ainda não tinha comprado nada para o paizão. No entanto, ela não demorou para encontrar uma rápida solução do problema. “Vou comprar na própria loja onde trabalho mesmo, pois não dá para a gente correr atrás. Só não sei o que vou dar, talvez um perfume ou uma ferramenta, pois ele conserta máquinas”, disse.

Apesar disso, ela enfatizou que a indecisão não é apenas um problema seu. “Muita gente chega aqui e não tem a mínima idéia do que levar. É nessa hora que a gente tem de ser criativa para tentar descobrir as preferências e gostos dos pais dos clientes”, salientou.

Ela também garantiu que só deixaria seu pai sem um presentinho se estivesse empregada em um estabelecimento que vendesse artigos caros, como jóias. “Aí ficaria difícil. Ou falaria para ele escolher alguma coisa que depois eu pagaria ou deixaria ele contentar-se com um beijo e um abraço”, frisou a jovem.

Já a comerciária Gláucia Eliza Pleti, vendedora há dois anos em uma loja de roupas íntimas, revelou que tinha duas alternativas para não deixar o pai passar em branco no dia em sua homenagem. “Compraria na própria loja onde trabalho ou em uma bem próxima. Acho que usaria o horário do almoço para fazer isso, mas mesmo assim acho que não daria certo”, afirmou.

E, a exemplo de Fernanda Nardi, ela também não havia adquirido a lembrançinha para o pai. “Mas vou comprar, pois pai é pai, né! Estou propensa a levar uma camisa ou um pijama. Se não der, paciência. Vou apenas cumprimentá-lo, pois acho que essa atitude já é uma grande consideração”, enfatizou Pleti.

Pensando da mesma forma estava Ana Paula Lima de Abreu, que há seis anos exerce a função de vendedora em uma banca de jornais, revistas e produtos diversos. No seu caso, o pai, infelizmente, ficará sem presente, mas ela tem uma boa desculpa. “É que ele não mora em Bauru, e sim em Vera Cruz. Entretanto, vou pelo menos ligar para ele, pois pai e mãe a gente tem de lembrar sempre deles e não apenas nestas datas comemorativas”, ponderou Abreu.

Além disso, ela comenta que dar presente para homens é mais difícil que para mulheres. “A mulherada tem mais bugigangas à disposição para comprar do que para eles, que, às vezes, também são meio enjoados e não gostam de ganhar qualquer coisa”, afirmou.

Vedetes

“Há dois anos, os aparelhos de telefones celulares são as vedetes para presentear não só os pais, mas também mães, namorados e até crianças. Depois deles, os preferidos são as confecções, os calçados e perfumarias”, observou Francisco Alberto Franco De Bernardes, presidente da Associação dos Empresários do Calçadão (AEC).

Bernardes contou que, em comparação com outras datas comemorativas, o dia dos pais é uma das que conta com menos apelo. “Tradicionalmente, o Dia dos Pais ocupa o quarto lugar em vendas, vindo depois (do dia) das mães, namorados e crianças. Apesar disso, não deixa de ser um belo gancho para aquecer o comércio”, disse o empresário.

Prova disso, é que as previsões de comercializações de venda na data neste ano superem em 5% as do ano passado. “Isso é satisfatório, pois 2003 foi um ano muito difícil, e é provável que se concretize, pois vimos consumidores de Bauru e região comprando em peso nos últimos dois dias”, argumentou. “As promoções e descontos das lojas e os sorteios de celulares também ajudaram muito nesse desempenho”, acrescentou.

Segundo o presidente da AEC, a estimativa é que pelo menos 120 mil pessoas tenham circulado pelo Calçadão entre anteontem e ontem. “E esta próxima semana também promete movimento acima da média em razão da necessidade das trocas dos presentes”, conclui.

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