Enquanto lia a sua carta, ouvia a rádio com seus locutores falando, emendando uma palavra com outra e tão depressa que acabei desligando o rádio por não entender o que diziam, o que acontece também nas TVs.
Fez-me lembrar da inesquecível professora Rosa Ranieri, que insistia para que seus alunos tivessem uma ótima articulação nas palavras, dizendo que dicção é fundamental para que se note o bom português, fazendo também me lembrar que ao encontrar uma ex-colega da NOB, admirei a maneira dela conversar, coisa que hoje já não existe.
Não é só isso que está deprimindo a nossa cultura. A escrita caligráfica é pior ainda, notando-se que o brasileiro está escrevendo tão ruim, principalmente os juízes e promotores, que não se consegue ler o que escrevem e uma dessas provas pedi a uma funcionária do cartório para que lesse para mim o parecer do promotor e o despacho do juiz, respondendo-me ela que também não sabia dizer o que ali estava escrito; uma resposta dada por um secretário municipal nem o mensageiro soube dizer o que estava escrito, além de ser comum, até locutores dizerem: i eli vái falá pra nóis qui tá tudo errado.
Quanto ao caipirismo, é coisa fora do comum. No passado moças e moços trabalhavam na roça durante a semana e no sábado iam aos bailes de fazendas tão bem vestidos que não se imaginava que fossem lavradores e, no entanto, hoje, numa cidade como Bauru, que deveria ser exemplo de cultura, com tantas faculdades, tem-se a impressão que estamos vivendo na capital do caipirismo, vendo-se meninas fumando em plena rua, seminuas e rapazes com calças que nos dão a impressão de serem lavradores.
Já escrevi ao diretor do Jornal da Cidade sugerindo que crie uma coluna de crítica de conscientização para o bem comum e, para exemplo, tenha o jornal do Luciano Dias Pires e quanto à caligrafia, por coincidência, acabo de ver um registro civil escrito em 1955 que demonstra quanto a nossa cultura regrediu. O elogio envaidece, a crítica aperfeiçoa. Conscientizar também os delinquentes que no final serão presos e até mortos.
Dr. Carlos Sandrin