Bairros

Informalidade é saída para muitos

Da Redação
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Muitos adolescentes vêem no mercado informal uma alternativa para trabalhar e conseguir dinheiro para complementar a renda da casa ou garantir independência financeira.

O registro em carteira de trabalho quase sempre é um sonho que torna-se distante à medida em que jovens submetem-se aos famosos “bicos”.

É o caso de Dárcio Antônio Liberato Silva, de 15 anos, morador do Parque Jaraguá. Dois dias por semana, ele trabalha para um mercado do bairro como panfleteiro. Ganha R$ 10,00 diários pelo serviço.

O menino conta que resolveu procurar um emprego porque queria ajudar a mãe nas finanças domésticas, além de comprar artigos pessoais. A oportunidade surgiu há quatro meses. Na primeira tentativa, conseguiu a vaga de panfleteiro e aceitou-a.

Hoje, uma parte do que gasta fica com a mãe. Outra parte é gasta em videogames. “Uma vez eu comprei um tênis também”, conta.

Dárcio foi incentivado pela família a procurar trabalho. “Várias vezes minha mãe falou para eu procurar emprego porque estava na hora. Eu estou grande já”, diz.

No início, ele não gostou muito da idéia. Mas agora garante que já se acostumou à labuta e que gosta de ter seu dinheiro. “Ninguém gosta de trabalhar. Só se for um trabalho que a pessoa goste. Mas eu me acostumei e agora gosto de trabalhar. Meu patrão é legal e o trabalho não é chato”, destaca.

O adolescente está cursando a 1.ª série do ensino médio e sonha em ser bombeiro ou seguir carreira no Exército. Por enquanto, pensa em seguir os estudos e conseguir um emprego melhor - de preferência com registro em carteira.

“Registrado é sempre melhor porque já começa pagar a aposentadoria desde cedo. Quando eu ficar velho, já estaria tudo pago”, avalia.

Juliana Oliveira, 18 anos e moradora do Núcleo 9 de Julho, é outro exemplo. A diferença é que ela começou mais cedo. Conseguiu o primeiro emprego, de babá, aos 12 anos.

“Como eu queria ter minhas coisas, eu comecei a trabalhar. Nunca gostei de depender da minha mãe, que não tem condições de dar o que eu preciso. Então eu trabalho para ter o que eu quero”, justifica.

O trabalho atrapalhou os estudos e ela parou. Mas, logo depois, aos 14 anos, conseguiu outro emprego. Desta vez, foi doméstica por três meses. “Atrapalhou novamente os estudos e eu parei”, diz.

Depois disso, Juliana já trabalhou novamente como babá e também como vendedora em uma loja. Ela terminou o ensino médio e agora voltou a ganhar dinheiro cuidando de crianças. Apesar dos diversos empregos que já teve, a menina não tem nenhum registro em carteira.

“Eu gostaria de conseguir um emprego com carteira registrada mas não consigo porque eles sempre pedem experiência. Não dão oportunidade para quem não tem registro. Então fica difícil”, reclama.

Juliana ganha R$ 100,00 mensais pelo serviço que lhe consome sete horas diárias. Ela quer tentar um emprego melhor para pagar um cursinho e entrar na faculdade.

“Minha mãe não tem condições de pagar. Meu sonho é ter uma profissão em comunicação e um bom emprego para ajudar minha mãe, que sustenta cinco filhos. Quero melhorar as condições da minha família e comprar uma casa”, revela.

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Registrados

Muitos jovens lamentam a dificuldade de conseguir um emprego formal mas, por outro lado, outros comemoram a vitória do registro em carteira.

Aos 14 anos, Jonas Aparecido Timóteo Ferreira, hoje com 16 anos, começou a trabalhar com bicos em plantações de cana-de-açúcar e tomate, além de hortas. Ele não tinha registro em carteira.

Há quatro meses, ele conseguiu uma vaga como auxiliar de bibliotecário e foi registrado. Hoje, ganha R$ 230,00 mensais. Parte do salário ele dá aos pais, que trabalham em serviços gerais.

“Eu preciso do dinheiro para ajudar minha família. Estou gostando desse trabalho. Os serviços agrícolas eram muito pesados”, conta.

Natália Conceição da Silva Félix tem 16 anos, cursa a 2.ª série do ensino médio e trabalha como estagiária no setor administrativo de uma fábrica. O pai, motorista de caminhão, e a mãe, costureira, sempre a incentivaram a trabalhar.

“Eles falam que é melhor eu trabalhar para comprar minhas coisas, fazer cursos e fazer uma faculdade. Eu estou investindo em mim mesma”, salienta.

Ela conseguiu o estágio através da Legião Feminina de Bauru, entidade que encaminha menores para o trabalho. Natália já trabalha há nove meses e afirma que está gostando da experiência.

“Eu quero expandir meus conhecimentos, quero fazer uma faculdade, quero ter um futuro melhor. Então decidi correr atrás disso cedo. E estou adorando”, argumenta.

Sthefani Tombini, 19 anos, também é estagiária. Ela trabalha num laboratório de análises clínicas, onde ganha R$ 150,00 mensais com registro em carteira.

A adolescente começou no emprego informal, aos 14 anos. Durante três anos, trabalhou numa banca de revistas. Aos 17, conseguiu registro em carteira para trabalhar numa lanchonete.

“Era para ajudar em casa e para ter um pouquinho de experiência para entrar no mercado de trabalho. Além disso, eu queria ganhar um pouco de independência”, conta.

Agora, o objetivo de Sthefani é terminar o curso técnico em laboratório de análises clínicas e entrar na faculdade.

Menores de 16 anos também podem ter uma atividade extra-escolar para ganhar dinheiro com registro em carteira. Eles podem ser empregados como aprendizes.

É o caso de Bruno Guilherme de Oliveira, 15 anos, que está trabalhando na Caixa Econômica Federal (CEF). No período da tarde, ele dedica-se por cinco horas a arrumar arquivos, separar correspondências e fazer outros serviços auxiliares no escritório.

À noite, Bruno vai à escola, onde está cursando a 1.ª série do ensino médio. “Está ajudando muito. Eu ganho R$ 240,00 e pago o aluguel de casa. Com o ticket-alimentação que recebo, ajudo meus pais nas compras de mercado”, afirma.

Paralelamente ao trabalho, ele pretende terminar o segundo grau, fazer um curso técnico em mecânica automotiva e, futuramente, cursar faculdade. “É um sonho”, diz.

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