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Disputa off-road beneficente atrai espectadores em Bauru

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

A música da moda entre as torcidas de futebol seria uma ótima trilha sonora para o 1.º Indoor Beneficente, realizado ontem em Bauru: “Poeira, levantou poeira”. Veículos “fora-de-estrada” dos mais diversos tipos e potências agitaram competidores, espectadores e muita terra numa disputa informal que movimentou a tarde do Dia dos Pais.

De acordo com os organizadores, 24 competidores da região participaram do evento, que tinha como principais objetivos divertir os apaixonados pelo “off-road” e angariar recursos para o Instituto Profissional de Reabilitação Social 1.º de Agosto (Iprespa) de Bauru.

A disputa é realizada numa pista de terra fofa, com curvas acentuadas e muitos obstáculos. Construída nas dependências do Iprespa, a pista foi batizada de “Buraco do Tatu”. Ganha quem cruzar a linha de chegada primeiro, mas o verdadeiro desafio é manter o carro na pista.

“É uma competição de tempo, vence quem andar mais rápido e melhor. A emoção é que você tem uma pista diferente em cada volta. Ao contrário do asfalto, que é fixo, a terra muda de lugar conforme os carros passam. Então, você nunca sabe onde vai encontrar um buraco ou um morro. É uma briga contra a própria pista”, explica o presidente da Bauru Off-Road, Márcio Augusto de Souza Ruiz.

O esporte é dividido em quatro categorias: 4x2 motor a ar (motor de fusca), 4x2 motor à água (motor de Santana), 4x4 e força livre - a principal atração da disputa, quando competem veículos equipados com turbo ou nitro, o que torna a modalidade bem mais veloz.

Segundo Ruiz, os jipes turbinados chegam a apresentar 400 HP de potência. Para se ter uma idéia, um veículo de passeio comum tem cerca de 70 HP de potência. “Numa pista travada, como esta, os carros atingem uma velocidade média de 120 quilômetros por hora. Numa reta, eles chegam a 180 quilômetros por hora”, comenta.

“A emoção está na velocidade, na terra e nas dificuldades variáveis das voltas. E sendo um evento beneficente, nós nos divertimos, enquanto ajudamos uma instituição a sair do vermelho”, comenta o competidor Richard Marques Ferreira, segundo lugar na modalidade 4x2 motor à água na competição estadual.

Além dos jipes, os competidores correm com gaiolas que não são as de passarinho. “São carros equipados com uma armação de ferro que dá proteção ao piloto”, explica Ruiz.

Mesmo “comendo” poeira, a platéia não tirava os olhos dos carros. “É legal pela aventura, pela adrenalina. Estava na hora de trazerem esse tipo de movimento para Bauru”, comenta o balanceiro Disnei Lourival Soares Júnior, 21 anos.

“Eu acompanho pela TV, mas ver pessoalmente é muito legal. Todos os bairros deveriam ter coisas assim em áreas desocupadas. Seria uma diversão para a cidade. Só faltaram as poças d’água”, incentiva o funcionário público Angelino Moreira, 51 anos. Ele diz que trocou o churrasco do Dia dos Pais pela emoção da corrida.

Pai de dois dos organizadores e competidores, o advogado Marco Aurélio Dias Ruiz diz que, apesar de uma leve tensão, não deixa de acompanhar a disputa. “Eles são bastante seguros, não abusam, correm sempre dentro dos limites do carro e da pista. Mas sempre dá um frio na barriga, a gente quer que eles ganhem e que não se machuquem. Mas é bom vê-los assim, alegres, realizados”, afirma.

Para ele, a prática de esportes automobilísticos resulta em maior segurança na direção no dia-a-dia. “Eles guiam bem e conhecem os recursos de que dispõem se sofrerem uma emergência. Eles têm mais habilidades no controle do carro. Com eles dirigindo, eu durmo tranqüilamente”, acrescenta.

Para quem gostou do 1.º Indoor Beneficente, o competidor Jair Trindade, campeão da Copa Paulista de Off-Road no ano passado e coordenador do evento no Estado, dá uma boa notícia. Ele aprovou a pista bauruense e anunciou ontem a escolha da “Buraco de Tatu” para sediar a sétima etapa da Copa atual, prevista para outubro deste ano. Vem mais poeira por aí.

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Iprespa

O Instituto Profissional de Reabilitação Social 1.º de Agosto (Iprespa) de Bauru é uma entidade que presta assistência às famílias carentes da cidade. De acordo com as voluntárias Eliane Ortigosa Prestes e Laurídia Antonelli Vieira, a instituição foi criada há mais de 30 anos, mas está sendo resgatada atualmente.

“O instituto foi, inicialmente, feito para abrigar meninos e meninas de rua. Hoje, com a mudança na lei que não permite mais o abrigo, queremos transformar o Iprespa num centro de cursos, além de auxiliar os participantes com cestas básicas e outros alimentos”, comenta Prestes.

O 1.º Indoor Beneficente de Bauru, realizado ontem, destinou todo o lucro da competição ao Iprespa. Até o início da tarde de ontem, a arrecadação parcial do evento era de R$ 180,00.

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