Ciências

Unesp cria coletor de chuva automático

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

O bauruense João Perea Martins, professor do Departamento de Computação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Bauru, desenvolveu um sistema para medir o volume de chuvas que pode revolucionar o setor no País. Utilizando tecnologia totalmente nacional, ele criou o chamado coletor de dados pluviométricos, equipamento que elimina a necessidade de leitura manual dos índices de precipitação, tornando-a automática e muito mais precisa.

O aparelho, com dimensões equivalentes à metade de uma caixa de sapatos, possui um circuito eletrônico com um microcontrolador, que reúne todos os componentes de software e hardware de um computador convencional, para gerenciar a coleta e armazenagem das informações. A tecnologia já é comum em países europeus e nos Estados Unidos, mas no Brasil ainda “engatinha”, diz o professor. “Quem quiser contar com ela tem de importar. E, fora do País, um equipamento com essas mesmas características chega a custar até US$ 500”, ressalta Martins.

Por isso, ao desenvolvê-lo no Brasil com o auxílio do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) e do Departamento de Biologia da Unesp, o docente enfatiza que o projeto, totalmente patrocinado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que já está providenciando o processo de patente do aparelho, pode reduzir pela metade o valor de custo em um eventual processo de industrialização.

“Em laboratório consigo montá-lo por apenas US$ 25. E mesmo que ele venha a ser industrializado, o que lhe agregaria um custo até quatro vezes maior, ainda seria mais barato que os importados em 50%. Desta forma, ele possui uma boa perspectiva de produção industrial, o que é nossa intenção”, considera o professor.

Além do baixo custo, Martins destaca uma série de vantagens do coletor, que funciona adaptado ao pluviômetro (equipamento responsável pela medição das chuvas) e exige apenas três pilhas pequenas para ser ligado. A primeira delas é que sua instalação não demanda conhecimentos especializados. “Qualquer pessoa pode montá-lo junto ao pluviômetro, pois basta ligar dois plugues e apertar dois parafusos para entrar em funcionamento”, explica.

Outro benefício do aparelho destacado por Martins é sua enorme capacidade de armazenamento de informações, que pode se estender por vários meses. “Hoje, ele faz até 8.192 registros pluviométricos, o que seria suficiente para checar por seis meses a ocorrência de precipitações na Amazônia, uma das regiões de maior índice de chuva do País. Mas, se necessário, ele pode ter esta quantidade aumentada em até oito vezes”, salienta Martins.

Ele acrescenta que o equipamento também possui tolerância a falhas. “Mesmo que ele sofra algum problema, como perda de energia das pilhas, o coletor conta com uma memória especial para salvar as informações coletadas até aquele momento”, esclarece o docente da Unesp. “Mas estimamos que ele possa funcionar por dois anos sem parar, período que ele armazenará de forma automática os registros de chuva, determinando precisamente seu volume, data e até horário”, complementa.

Martins argumenta, ainda, que o coletor de dados pluviométrico pode exercer papel de fundamental importância à Defesa Civil de um município, uma vez que registra com absoluta precisão a ocorrência, por exemplo, de uma chuva intensa aproximando-se. “Ele pode permanecer on line a um computador 24 horas, o que dá condição de verificar o comportamento de uma precipitação em pontos críticos da cidade”, frisa.

O professor revela que o aparelho já passou por uma bateria de testes, inclusive no IPMet, onde está instalado desde dezembro de 2003, que comprovaram sua eficiência. “Os resultados foram extremamente satisfatórios”, garante Martins.

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