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Castigo pelas metades


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Acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos da CPI do Orçamento Federal vai chegando o momento mais esperado pela Nação: o do anúncio das medidas efetivas que a Comissão tenha por bem estabelecer para sofrear a ação dos corruptos que costumam abraçar as verbas públicas, puxando-as para si e desviando-as de sua honesta destinação. Segundo os presidentes da Câmara e do Senado, a primeira coerção oficial será o bloqueio dos bens da turma, seguido de uma ação de seqüestro tendo em mira confiscar aos malandros aquilo com que se possa ressarcir os cofres públicos dos prejuízos sofridos com as maracutaias.

Até aí tudo realmente certo, pois, incontestavelmente, a primeira providência que os lesados precisam tomar, em situações normais, é procurar recuperar o produto do furto para que sirva de prova evidente, material, do delito cometido e denunciado. Estranha-se, no entanto, que os poderes públicos cogitem unicamente de confisco dos bens e cassação de mandatos executivos e legislativos e nada aduzam sobre a prisão dos larápios, como o faz a Polícia em relação aos roubos, furtos e dilapidações genéricas que acontecem diariamente nos outros setores do País, e no mundo, atingindo inclusive até os que, castigados pela fome (hoje se clama tanto contra a inanição e a miséria) invadem galinheiros domésticos para surrupiar uma penosa despreocupada.

Porta-vozes da CPI ainda estão mudos, não lançando no ar qualquer aviso aos navegantes prometendo ao País que serão punidos com prisão celular os roubos praticados pelos “colarinhos brancos” que doravante surgirem... Não espera a sociedade que os que se apropriarem de dinheiro da Nação, acobertados por alterações orçamentárias, venham a ter como punição somente a perda dos bens conquistados ilicitamente, porquanto, se o roubo for apurado, o crime foi constatado e o delito não pode ter a sua punição circunscrita à devolução pura e simples da coisa subtraída e à perda de mandato ou cargo.

Seria muita azeitona sadia em pastel deteriorado, que a opinião pública não conseguiria nunca digerir e a história encobrir, por ser um castigo pelas metades, como, ao que parece, interessa subrepticiamente a determinados seguimentos políticos, visivelmente “condoídos” pelo azar abatido sobre amigos de tantos e tantos anos.

O autor, N. Serra, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado, é o jornalista responsável do JC.

Tanta gente se afasta do caminho que é de luz, pouca gente se lembra das mensagens que há na cruz. Senhor, volte logo, vem dizer tudo de novo.

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