A cidade de Bauru pode ser vista como cidade-modelo do padrão médio nacional, uma espécie de “síntese-média do Brasil”, ou seja, assim como o Brasil é rico, mas a população é pobre, também Bauru é rica, mas essa riqueza, como a do Brasil, é concentrada e o bauruense na sua maioria é de classe média baixa (pobre). Assim como existem vários Brasis dentro do Brasil, existe também a Bauru rica, a Bauru pobre; a Bauru cultura, a Bauru semi-analfabeta; a Bauru gastronômica e a Bauru que passa fome; enfim, a Bauru dos incluídos e a Bauru dos excluídos. De qualquer forma, esta campanha eleitoral, que é uma das mais pobres dos últimos tempos, revela-nos a dramática paisagem socioeconômica da cidade e também expõe nossas feridas sociais, a situação de abandono de nossos bairros periféricos e os índices alarmantes de nossa saúde, educação, infra-estrutura básica, moradia, emprego-sub-emprego e renda municipal. Não se trata de uma questão de ponto de vista, de um otimismo extasiado ou de um pessimismo destrutivo, mas simplesmente é a verdade nua e crua da realidade dos fatos, situação esta que não pode e não deve ser minimizada para efeito eleitoral. E toda esta lamentável situação é o reflexo de nossas mazelas públicas e de políticas públicas irresponsáveis e que por mais de uma década (perdida) a classe política que aí está nos impingiu. O próximo prefeito de Bauru, seja quem for, terá este enorme desafio de administrar uma agenda sobrecarregada de problemas e de demandas, e até nesse problema político Bauru se compara e se equipara ao Brasil real.
Aurélio da Silva Braga - RG 12.912.493